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UE aumenta tom de ameaças enquanto o gás continua sem chegar à Europa

Estrasburgo - Enquanto o gás russo continua sem chegar à Europa através da Ucrânia, a União Europeia (UE) deu nesta quarta-feira mais um passo em suas advertências a Moscou e Kiev, e ameaçou apoiar as empresas europeias para que levem o caso aos tribunais e apostar em fornecedores alternativos.

Redação com EFE |

 

"Se os acordos assinados com a Europa não forem respeitados, a Comissão Europeia (CE, órgão executivo da UE) aconselhará as empresas europeias afetadas a levar a Gazprom e a Naftogaz aos tribunais, e pedirá aos Estados-membros uma ação coordenada para alternativas de fornecimento e trânsito de energia", disse, em Estrasburgo, o presidente da CE, José Manuel Durão Barroso.

O chefe do Executivo da UE qualificou de "inaceitável" e de "incrível" a situação atual.

"Inaceitável, porque os consumidores europeus de alguns Estados-membros seguem sem gás após uma semana. Incrível, porque continuamos nesta situação no dia seguinte da assinatura de um acordo com garantias da Rússia e da Ucrânia para permitir que o gás flua".

Barroso responsabilizou as duas partes - que trocam acusações - pela situação e disse que, para os consumidores europeus, não importa quem é o culpado.

"A Rússia e a Ucrânia estão mostrando que não são capazes de cumprir seus compromissos com alguns países europeus (...). Esses são os fatos", disse.

Na mesma linha, o comissário de Energia da UE, Andris Piebalgs, e o ministro da Indústria tcheco, Martin Rimam, consideraram que, se o fluxo de gás não for restituído imediatamente, as credibilidades russa e ucraniana ficarão "prejudicadas de forma irrevogável".

A CE confirmou que a maior parte das dificuldades encontradas ontem na Rússia e na Ucrânia pelos inspetores europeus deslocados à região foi resolvida, e que há todas as condições técnicas para retomar o fornecimento.

"Agora, verá se há vontade política", disse Barroso.

Para a CE, as partes em conflito têm hoje uma "última oportunidade".

Segundo Barroso, Rússia e Ucrânia anunciaram que têm intenção de fornecer um volume similar de gás, "ao redor de 100 milhões de metros cúbicos, mas estão em total desacordo sobre os pontos de entrada e as rotas".

O presidente da CE ressaltou que o bloco europeu não tem a "responsabilidade" de mediar nesta situação, mas insistiu que continuará trabalhando e agradeceu os contatos da Eslováquia, Bulgária e Romênia - três dos países mais afetados - com Moscou para tentar resolver o assunto.

Em qualquer caso, a UE parece mais decidida do que nunca a evitar que se repita uma nova "guerra do gás".

O novo presidente rotativo da União Europeia, o primeiro-ministro tcheco, Mirek Topolanek, disse no Parlamento Europeu que a crise mostrou que, a médio prazo, é necessário diversificar as fontes e rotas de fornecimento.

Entre as alternativas, ressaltou a importância da construção do gasoduto Nabucco, para transportar gás da zona do Cáspio à UE sem passar pela Rússia, mas também pediu o impulso a outras fontes e "reabilitar" a energia nuclear.

Além disso, depois que a Europa insistiu em falar durante dias de um problema "comercial", Topolanek reconheceu hoje que o assunto tem implicações "políticas e geopolíticas", e que, a longo prazo, pode influenciar na direção tomada pela Ucrânia e no futuro da região.

O primeiro-ministro tcheco colocou o assunto energético à frente de suas prioridades na UE, inclusive acima da crise econômica.

"A crise pode enfraquecer a Europa a curto prazo, mas o risco de cortes de energia poderia destruir imediatamente, e a longo prazo, não só a economia europeia, mas também nossa liberdade e segurança", disse Toponalek.

Impasse

Centenas de milhares de europeus vêm sendo afetados pelo corte de gás e ficaram sem aquecimento na Europa em um inverno rigoroso desde o dia 1º de janeiro. O impasse entre Rússia e Ucrânia sobre o preço do gás já dura alguns anos, mas se agravou no início de 2009.

A Rússia acusava a Ucrânia de roubar parte do gás enviado para a Europa e de dever dinheiro. A Ucrânia nega as acusações.

Cerca de 40% das importações de gás dos 27 países da União Europeia são fornecidos pela Rússia, sendo que 80% desse gás é transportado via Ucrânia. Os países do leste europeu estão entre os mais dependentes do gás russo e foram os mais prejudicados pela crise da última semana.

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