Por Jan Strupczewski e Brian Love BRUXELAS (Reuters) - Os ministros das Finanças da União Europeia apoiaram nesta terça-feira os planos de auxílio financeiro dos países da zona do euro para Grécia, se o país se tornar o primeiro em onze anos de união monetária a pedir uma ajuda como essa.

"Será decidido pelo Conselho Europeu (de líderes da UE) quando for o momento, se e quando a Grécia pedir", disse a ministra da Economia da Espanha, Elena Salgado, a jornalistas no final de dois dias de negociações em Bruxelas.

Ministros dos 16 países da zona do euro disseram no final da segunda-feira que concordaram as "modalidades técnicas" que permitirão que o auxílio à Grécia seja rapidamente implementado, mas não deram números e muitos detalhes sobre um plano que deve envolver empréstimos bilaterais.

Eles se reuniram novamente nesta terça-feira com outros ministros das Finanças da União Europeia, onde Alemanha, Espanha e outros reiteraram que a Grécia não precisa de ajuda no momento.

O comissário europeu Olli Rehn disse que os planos do governo grego para redução do déficit público em um terço neste ano são "realistas", levando em conta as previsões recentemente revisadas para baixo de contração econômica de 2 por cento neste ano.

Os ministros não disseram quando uma medida final de resgate à Grécia aconteceria. Um porta-voz do governo alemão disse que Berlim não espera uma decisão na cúpula da UE na semana que vem.

GRÉCIA PODERIA TER AJUDA BILATERAL

O auxílio para a Grécia poderia ser bilateral, mas os ministros não deram garantias de empréstimos, disse Jean-Claude Juncker, primeiro-ministro de Luxemburgo que presidiu as conversas sobre os planos reservas.

Um comunicado publicado pelos ministros da zona do euro não forneceu números. O documento recomendou que a Grécia redobre os esforços para pôr suas finanças públicas em ordem, e disse que o resto do Eurogroup está pronto para ajudar.

Em visita à Hungria, o primeiro-ministro grego George Papandreou disse que o anúncio de ajuda reserva feito pelos ministros das Finanças no final da segunda-feira é um "passo muito importante".

"Nós dissemos que nós não estamos pedindo um resgate ou dinheiro", afirmou Papandreou.

"Mas nós precisamos de algum tipo de instrumento que, se necessário, possa intervir no mercado e garantir que nós tomemos dinheiro a taxas similares às taxas de outros países da zona do euro, e que não sejam muito caras".

LÍDERES DA UE TERÃO ÚLTIMA PALAVRA

O ministro das Finanças belga, Didier Reynders, sugeriu que as opções de resgate estão longe de ser definitivas. A Comissão Europeia disse que está pronta para propor uma estrutura de auxílio, posicionando-se como um possível canal para coordenar ajudas bilaterais.

Economistas disseram que os anúncios estão indo na direção certa, mesmo se a situação continuar confusa.

"Ainda há muita incerteza sobre como o pacote funcionaria exatamente, e também sobre o que daria início a ele", disse Ben May, analista da consultoria Capital Economics.

(Com reportagem de Marcin Grajewski, Brian Rohan, Tamora Vidaillet e Francesca Landini)

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