Mercedes Salas Bruxelas, 18 jul (EFE).- Os países da União Européia (UE) advertiram hoje que já cederam o máximo possível nas negociações sobre agricultura dentro da OMC, por isso pedem um reequilíbrio para que outros membros também abram mão em alguns pontos e sejam compensados com a abertura de seus mercados industriais.

Os ministros do Comércio da UE tiveram um encontro especial para preparar a reunião que começa na segunda-feira em Genebra, onde mais de 30 países da Organização Mundial do Comércio (OMC) tentarão desobstruir a Rodada de Doha, sobre a liberalização do comércio mundial.

Os países do bloco europeu constataram que a UE "já esgotou sua margem de manobra e não irá mais longe das concessões que já fez em agricultura", segundo declaração em coletiva de imprensa da secretária de Estado de Comércio Exterior da França, Anne-Marie Idrac.

Idrac, como presidente do Conselho de ministros de Comércio, destacou que a maioria dos Estados do bloco europeu "reivindica um reequilíbrio" na negociação de Doha para compensar o que a UE "já fez", o que significa que exigem concessões de outros membros para abrirem seus mercados industriais.

A reunião de hoje refletiu mais uma vez a posição defensiva da UE, pois dentro da OMC os países emergentes - liderados por Brasil e Índia - reivindicam que tanto Europa quanto Estados Unidos e outros países ricos reduzam seus subsídios agrícolas e abram seus mercados.

Em contrapartida, a UE pede aos países emergentes a abertura nos setores de bens industriais e de serviços.

Idrac destacou que a UE reivindicou hoje que os EUA também diminuam seus subsídios agrícolas e também exigiu maior proteção para as denominações de origem.

Na reunião de hoje do Conselho, o grupo de países tradicionalmente mais defensores da agricultura (Espanha, Portugal, Itália, Grécia e Irlanda) repetiram suas posições.

Por outro lado, Estados como Alemanha e Suécia, mais abertos nesse âmbito, ressaltaram a necessidade de que a negociação da OMC não seja só a agricultura.

Alemanha, República Tcheca e Eslováquia solicitaram uma abertura nas exportações de automóveis, enquanto a Suécia destacou seu interesse na liberalização do comércio de produtos florestais e eletrônicos.

Portugal e Espanha se mostraram preocupados com as propostas discutidas na OMC que visam reduzir a tributação da importação européia de banana da América Latina.

Paralelamente à Doha, a UE, os países latino-americanos e o Grupo de Países da África, Caribe e Pacífico (ACP) tentam chegar a um acordo sobre o futuro da taxação européia às importações de banana.

Esta discussão ameaça complicar ainda mais a negociação da próxima semana e de impedir um acordo, pois os países da América Latina pretendem que a banana entre no grupo dos "produtos tropicais", submetidos a uma maior e mais rápida liberalização.

A relação de "produtos tropicais" gera inquietação de vários países europeus, principalmente os mediterrâneos, pois está em jogo a manutenção da proteção e a desproteção das frutas, hortaliças, açúcar e arroz.

Os chefes negociadores da UE, o comissário de Comércio, Peter Mandelson, e a comissária de Agricultura européia, Mariann Fischer Boel, discursaram na reunião extraordinária de hoje e afirmaram que defenderão um acordo "equilibrado".

Mandelson, no entanto, deixou claro que esse equilíbrio "não representa igualdade de condições" com os países emergentes e lembrou que, se não houver acordo em Genebra, será congelada a agenda de Doha para a abertura de mercados.

Os ministros de Comércio e de Agricultura da UE se reunirão ao longo da próxima semana, em Genebra, para supervisionar a negociação da OMC. EFE ms/wr/rr

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