Bruxelas, 16 out (EFE) - Os líderes da União Européia (UE) admitiram hoje que a crise financeira está começando a afetar o conjunto da economia e, apesar de terem concordado com que é preciso agir para combater esse efeito, não deram uma resposta.

No Conselho Europeu que hoje terminou, em Bruxelas, os 27 países do bloco mostraram uma unidade quase sem divergências em torno do plano elaborado pelas nações que compartilham o euro, junto ao Reino Unido, para estabilizar os mercados e impedir a falência de entidades que possam arrastar outras.

Eles tentaram levar à frente as medidas de emergência e, para evitar a repetição de episódios como o atual, decidiram tomar a iniciativa e promover uma reforma do sistema financeiro mundial, centrada em aumentar a transparência, reforçar a supervisão e modernizar as instituições de governabilidade global.

No entanto, admitiram que essas mudanças, que deveriam se concretizar em uma cúpula de líderes mundiais a ser realizada nos próximos meses, não servirão para frear a desaceleração do crescimento.

Vários líderes expressaram sua preocupação com a deterioração da economia - que afetou alguns Estados-membros na recessão - e pelos efeitos da crise no setor industrial.

A chanceler alemã, Angela Merkel, deixou claro em seu discurso a portas fechadas aos outros líderes: "A economia real se dirige à estagnação, portanto é preciso tomar medidas", segundo indicaram fontes do bloco.

O ministro de Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier, sugeriu em entrevista coletiva a possibilidade de elaborar um programa em escala européia para ajudar a indústria e as empresas a superar a crise, mas destacou que a iniciativa "ainda não está madura".

No entanto, tanto Steinmeier quanto o presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmaram que as medidas para devolver a normalidade ao setor financeiro beneficiam de forma direta o resto da economia, e, mais concretamente, a indústria, as empresas e os cidadãos comuns.

Sarkozy disse que os países-membros do bloco deveriam ser capazes de demonstrar a mesma coordenação que exibiram no setor financeiro ao determinar sua política econômica, mas reconheceu que, sobre este ponto, ainda não há unanimidade.

A UE ressalta, ainda, que o apoio à atividade econômica "passa por um nível de financiamento suficiente" e, a este respeito, elogia a decisão do Banco Europeu de Investimentos (BEI) de mobilizar 30 bilhões de euros para as pequenas e médias empresas.

O comunicado final da cúpula de Bruxelas também reitera o compromisso de respeitar nestes tempos de crise a disciplina orçamentária.

O texto reconhece, no entanto, que a aplicação do plano "deverá refletir igualmente as circunstâncias excepcionais que passamos, como prevêem suas regras". EFE epn/db

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