Bruxelas, 9 mai (EFE).- Os ministros de Finanças da União Europeia (UE) acertaram neste domingo um acordo sobre um pacote de crédito de mais de 500 bilhões de euros, destinado a cobrir as necessidades dos parceiros com problemas de solvência e defender a moeda local, informaram fontes diplomáticas.

Bruxelas, 9 mai (EFE).- Os ministros de Finanças da União Europeia (UE) acertaram neste domingo um acordo sobre um pacote de crédito de mais de 500 bilhões de euros, destinado a cobrir as necessidades dos parceiros com problemas de solvência e defender a moeda local, informaram fontes diplomáticas. O mecanismo europeu de estabilização inclui uma facilidade de ajuda ao balanço de pagamentos no valor de 60 bilhões de euros, com os recursos próprios da UE como garantia, mais 440 bilhões em fundos ou garantias fornecidos pelos Estados-membros da região, assim como uma quantidade do Fundo Monetário Internacional (FMI) de pelo menos a metade do fornecido pela Europa. O acordo do Conselho de ministros de Economia e Finanças da UE (Ecofin) foi alcançado após quase 12 horas de negociações contra-relógio, a tempo para a abertura dos principais mercados asiáticos. O propósito deste pacote, sem precedentes na história da união monetária europeia, é dissuadir os especuladores que apostam há semanas na quebra de um membro da zona do euro. "Estamos vendo nos mercados comportamentos próprios de uma manada de lobos e, se não os determos, destruirão os países mais fracos", advertiu em Bruxelas o ministro de Finanças sueco, Anders Borg, em referência aos ataques dos especuladores contra a dívida soberana da Grécia, Portugal, Espanha e República da Irlanda. O pacote de ajuda estipulado esta madrugada se acrescenta aos 110 bilhões de euros decididos para o resgate da Grécia, que os europeus e o FMI começarão a desembolsar de forma imediata. Uma frenética atividade ao mais alto nível político e diplomático precedeu o acordo entre os ministros europeus durante toda a jornada do domingo. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, falou com a chanceler alemã, Angela Merkel, e com seu colega francês, Nicolas Sarkozy, sobre a crise financeira na Europa. Segundo um porta-voz da Casa Branca, Obama insistiu em ambas as conversas na necessidade de que os europeus tomassem medidas "fortes" para restabelecer a confiança nos mercados. Em Washington, o Fundo Monetário Internacional (FMI) informava simultaneamente que o organismo e a zona do euro entregarão 20 bilhões de euros em empréstimos de forma imediata à Grécia. Por seu lado, o Banco Central Europeu fez uma reunião extraordinária da qual poderia sair, nesta segunda-feira de manhã, o anúncio de medidas especiais em apoio ao sistema bancário, debilitado pela queda da bolsa e a depreciação da dívida soberana que os bancos do continente entesouram. O mecanismo de estabilização estipulado pelos ministros parte de algo que já existe, a facilidade financeira para o balanço de pagamentos que permite à Comissão Europeia (órgão executivo da UE) captar dinheiro nos mercados de capitais para emprestá-lo aos Estados-membros com problemas a um preço muito propício, aproveitando a máxima qualificação de crédito (AAA) da qual a União goza. Esta facilidade tem um limite marcado pelo orçamento do bloco (50 bilhões de euros) e o tratado só autoriza a usá-la com os países da UE que não sejam membros do euro. Romênia, Letônia e Hungria solicitaram recentemente a ajuda desta facilidade comunitária. O compromisso prevê a criação de uma facilidade parecida, baseada em outro artigo do tratado, para poder usá-la dentro da Eurozona, com uma dotação de 60 bilhões de euros. Paralelamente, os Estados-membros do euro porão em comum empréstimos ou garantias de crédito adicionais no valor de 440 bilhões de euros. A Alemanha exigiu que o FMI esteja envolvido na definição das rigorosas condições de ajuste e reformas que seriam aplicadas aos estados que recorram à ajuda de seus parceiros, como ocorreu no caso da Grécia. Os 27 países do bloco também se comprometeram a acelerar a redução dos déficit públicos. O Governo espanhol anunciou neste domingo que vai cortar ainda mais as despesas em 2010 (5 bilhões de euros adicionais) e em 2011 (10 bilhões de euros). EFE jms-rcf/ma

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