Boris Klimenko. Kiev, 6 jan (EFE).- As autoridades ucranianas afirmaram hoje à União Européia (UE) que fazem o possível para normalizar o fornecimento do gás russo aos consumidores europeus, que sofreu uma grande redução nas últimas horas.

Esta afirmação foi feita pelo chefe adjunto do Secretariado da Presidência ucraniana, Oleksandr Shlapak em reunião com uma delegação da UE, liderada pelo ministro de Indústria e Comércio da República Tcheca, Martin Riman.

Logo após o início da reunião, o líder da missão européia declarou que a situação com o transporte do gás russo pelo território da Ucrânia é complexa e exige uma solução imediata, informou o escritório de imprensa da Presidência ucraniana.

No mesmo momento em que a delegação da União Européia mantinha conversas no Secretariado, o presidente da estatal ucraniana, Oleg Dubina, afirma que a empresa russa Gazprom provavelmente interromperia o fornecimento de gás pelo território da Ucrânia.

"No dia de hoje posso dizer que é muito provável que eles (Gazprom) tenham decidido interromper os fornecimentos de gás através da Ucrânia", declarou Dubina em um comparecimento ante os jornalistas.

Explicou que se anteriormente eram fornecidos diariamente à Europa 260 milhões de metros cúbicos de gás russo, por volta das 6h (2h, horário de Brasília) o volume era de 92 milhões de metros cúbicos e seis horas depois tinha caído para 72 milhões.

"Não recebemos nenhum aviso da parte russa", declarou Dubina.

No dia anterior, o primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, ordenou a redução do fornecimento de gás na fronteira com a Ucrânia no mesmo volume em que o combustível russo "foi roubado" no país vizinho em seu trajeto para os consumidores europeus.

O primeiro-ministro russo aceitou a proposta do presidente da Gazprom, Alexei Miller, de reduzir o fornecimento na fronteira da Rússia e da Ucrânia "no mesmo volume em que foi subtraído - 65,3 milhões de metros cúbicos - e, posteriormente, de realizar cortes segundo o volume de gás roubado diariamente", informou a agência "Interfax".

A Gazprom pediu ontem à noite que a Naftogaz compense, com seus próprios recursos, estes 65,3 milhões de metros cúbicos de gás e os forneça aos consumidores europeus na fronteira ocidental da Ucrânia.

Apesar de a UE ter declarado que não atuará como intermediária em um conflito fundamentalmente comercial entre Rússia e Ucrânia, as autoridades de Kiev defenderam hoje que a UE pelo menos deve estar presente nas negociações entre Rússia e Ucrânia.

"Junto com os colegas russos e com a presença da Comissão Européia podemos analisar a situação e espero encontrar uma saída", declarou Shlapak à delegação da UE.

No entanto, acrescentou que "infelizmente não há documentos jurídicos que definam claramente as obrigações tanto da parte russa como da ucraniana sobre o fornecimento de gás à Ucrânia, assim como sobre seu transporte para a Europa".

"Para que a pausa que surgiu no fornecimento não leve a um atoleiro, a Ucrânia voluntariamente, de forma unilateral, tomou a decisão de continuar sua função de passagem e, de fato, com seus próprios recursos, cumpre esta operação", acrescentou o chefe adjunto do Secretariado da Presidência.

No dia primeiro de janeiro a Gazprom suspendeu o fornecimento de gás à Ucrânia após não alcançar um acordo com Naftogaz sobre o preço de seu combustível para este ano.

Antes de romper as negociações, Moscou propunha à Ucrânia aumentar o preço do gás de US$ 179,5 por mil metros cúbicos em 2008 para US$ 250 em 2009, com um tarifa de passagem de US$ 1,7, US$ 010 a mais que a atual, para o transporte de cada mil metros cúbicos a cem quilômetros de distância.

Kiev pedia para ser mantido o preço de 2008 e como máximo aceitava seu aumento até US$ 235 dólares, sempre e quando aumentasse também a tarifa de passagem.

No domingo, a Gazprom aumentou para US$ 450 por cada mil metros cúbicos de gás natural a tarifa para a Ucrânia correspondente ao mês de janeiro.

"Este preço não tem nada em comum com os preços reais que atualmente existem na Europa. Se isto é política, (Rússia) deveria declará-lo, para que a Ucrânia possa reagir com medidas adequadas", declarou Shlapak em entrevista coletiva ao final das negociações com a União Européia. EFE bk/fal

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