A Ucrânia admitiu nesta terça-feira ter bloqueado o gás russo destinado à Europa pelas condições de trânsito inaceitáveis impostas pela estatal russa Gazprom, declarou a AFP o porta-voz da empresa pública ucraniana Naftogaz, Valentin Zemlianski.

A Gazprom havia denunciado pouco antes que a Ucrânia estava bloqueando o fornecimento de gás destinado à Europa.

A Comissão Europeia, por sua vez, indicou que o gás não estava chegando à Europa, apesar do anúncio do reinício do fornecimento e advertiu que esta situação é muito séria.

Segundo comunicado conjunto das duas empresas, o gás russo já havia começado a circular pelos gasodutos na manhã desta terça-feira, e já transitava pela Ucrânia.

"Já começou. O gás chegou à Ucrânia", declarou à AFP o porta-voz da gigante russa Gazprom, Denis Ignatyev.

"O gás russo começou a chegar a Ucrânia. É o gás destinado a Europa", confirmou à AFP o porta-voz da estatal ucraniana Naftogaz, Valentin Zemlianski.

A Gazprom ordenou a retomada do fornecimento de gás para a Europa via Ucrânia pouco depois das 7H00 GMT (5H00 de Brasília), de acordo com imagens exibidas pelo canal de televisão russo NTV.

A emissora mostrou um diretor da Gazprom dando por telefone a ordem de abertura das torneiras do gás destinado aos Bálcãs, Turquia e Moldávia.

"Recebemos a ordem e vamos colocá-la em prática", afirmou um técnico do outro lado da linha telefônica, na estação de gás de Suya (oeste da Rússia, perto da fronteira com a Ucrânia).

A Gazprom bombeará 76,6 milhões de m3 de gás por dia, uma quantidade de teste que ainda está longe dos 300 milhões de m3 diários que a Europa recebia via Ucrânia antes do conflito do gás entre Rússia e Ucrânia a partir de 1º de janeiro.

Moscou advertiu que que se Kiev proceder a mínima extração ilegal do combustível destinado a Europa que circula por seus gasodutos, a Gazprom fechará as torneiras em proporção ao gás roubado.

Impasse

Centenas de milhares de europeus foram afetados pelo corte de gás e ficaram sem aquecimento na Europa em um inverno rigoroso desde o dia 1º de janeiro. O impasse entre Rússia e Ucrânia sobre o preço do gás já dura alguns anos, mas se agravou no início deste ano.

A Rússia acusava a Ucrânia de roubar parte do gás enviado para a Europa e de dever dinheiro. A Ucrânia nega as acusações.

Cerca de 40% das importações de gás dos 27 países da União Europeia são fornecidos pela Rússia, sendo que 80% desse gás é transportado via Ucrânia. Os países do leste europeu estão entre os mais dependentes do gás russo e foram os mais prejudicados pela crise da última semana.

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