Os analistas do UBS já prevêem recessão global no próximo ano, com estagnação nos Estados Unidos e na Europa e desaceleração na Ásia e demais mercados emergentes. O banco reduziu ontem sua previsão de crescimento mundial em 2009 de 2,8% para 2,2%, abaixo dos 2,5% que o Fundo Monetário Internacional (FMI) considera como linha divisória da recessão.

Na avaliação dos analistas do UBS, as economias emergentes vão se sair melhor que as dos países ricos, mas não conseguirão repetir o desempenho dos últimos cinco anos. O impacto da crise financeira nos Estados Unidos e na Inglaterra será mais severo e prolongado do que o estimado até agora e pela primeira vez as previsões indicam recessão na zona do euro.

As estimativas de crescimento dos países asiáticos para 2008 e 2009 foram revistas para baixo. Ontem, todas as bolsas da região sofreram quedas superiores a 4%, com temor do contágio financeiro na Europa e do impacto da turbulência sobre a atividade econômica.

A economista-chefe do UBS para a China, Tao Wang, reduziu a estimativa de crescimento do país de 10% para 9,6% em 2008 e de 8,8% para 8% no próximo ano. Na avaliação de Tao, a economia chinesa pode se expandir em pelo menos 8%, mesmo com recessão global. "Avaliamos que as medidas fiscais anticíclicas a serem adotadas pelo governo e mudanças na política monetária ajudem a estimular a demanda doméstica e a parcialmente neutralizar os efeitos negativos do choque externo", escreveu a economista.

A previsão dos analistas do UBS é a de que o crescimento na Ásia (excluído o Japão) vai desacelerar de 6,9% para 6,1% em 2009. Cingapura deverá ser a economia mais afetada, com o crescimento do PIB encolhendo de 4,8% para 1,5%, em razão da grande dependência de exportações. A Malásia também deverá ter forte desaceleração, com recuo de 4,8% para 3%.

Extremamente dependente das vendas ao exterior, Hong Kong é outra região que deverá ser bastante afetada. A estimativa de expansão para 2009 foi reduzida de 4,1% para 2,7%. Já o crescimento da Coréia do Sul deverá ser de 2,9%, comparado à previsão anterior de 3,5%.

Com menor dependência das exportações, a Índia sofrerá menos os efeitos da recessão mundial, segundo o UBS. De acordo com as previsões, o PIB do país vai crescer 6,8% em 2009 - a estimativa anterior era de 7,1%. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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