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UBS Pactual compra 10% da Vanguarda

CUIABÁ - Em busca de recursos para manter a expansão anual de 40% na área plantada com grãos na última década, a Vanguarda Participações S.A., controlada pelo megaprodutor Otaviano Pivetta, vendeu 10% de suas ações ao banco UBS Pactual por US$ 68 milhões. De capital fechado, a Vanguarda passou a ser uma das raras companhias de produção agropecuária a contar com esse tipo de participação acionária.

Valor Online |

A empresa, que registrou um crescimento médio de 66% em seu faturamento desde 1998, está pronta para entrar no mercado de capitais, segundo Pivetta, mas aguarda uma melhora no cenário internacional.

Com o aporte de capital do UBS, o grupo estima ampliar os investimentos em novas áreas de cultivo, criação de suínos de alta genética, confinamento de bovinos, comercialização de insumos, esmagamento de soja e algodão e na originação de grãos. Esses recursos servem para ampliar nosso capital de giro, manter esse ritmo de crescimento e alavancar novos negócios , resumiu Otaviano Pivetta ao Valor. Os planos ambiciosos e a estratégia agressiva colocam o empresário como o novo rei da soja do Brasil. Estou longe disso , desconversa.

A Vanguarda, um dos três maiores grupos de Mato Grosso, estima faturar US$ 322 milhões neste ano, mas seu plano de negócios prevê ultrapassar a marca de US$ 1 bilhão até 2010. Até 2011, devem ser investidos US$ 117 milhões nas operações do grupo. Dona de 160 mil hectares plantados com soja, algodão, milho e arroz em 12 fazendas espalhadas por vários municípios da região médio-norte de Mato Grosso, a empresa administra outros 120 mil hectares de terceiros sob o regime de parceria, onde arrenda as terras, financia as operações e divide o lucro com os proprietários.

Neste ano, a empresa ampliará sua atuação para fora de Mato Grosso com o cultivo de 35 mil hectares de soja no oeste da Bahia. Até 2010, a empresa entrará em um novo negócio: a produção de óleo degomado de soja. O investimento deve agregar um faturamento de US$ 143 milhões ao grupo. Para isso, a área de soja deve saltar de 89,5 mil para 208 mil hectares até 2011. No algodão, a empresa chegará a 40 mil hectares. E no milho, a 60 mil hectares plantados.

A aposta de capitalização do grupo inclui, ainda, a ampliação das operações de criação de bovinos e suínos. A introdução de 22 mil matrizes em 2009 devem resultar na criação de 560 mil suínos em 2011. O rebanho bovino em regime de confinamento está projetado para sair das atuais 43 mil para 200 mil cabeças neste período. A entrada no ramo de abate de gado, devido à fartura de matéria-prima, é uma opção de futuro em sociedade com outros grandes produtores da região.

A empresa também projeta ampliar sua atuação como uma espécie de trading local . As vendas de insumos e comercialização de soja e algodão adquirida de terceiros devem representar um faturamento de US$ 400 milhões em 2011 - hoje, são US$ 85 milhões.

Mesmo com o bom momento, a empresa tem sofrido as conseqüências geradas por um questionamento judicial por causa de um suposto rompimento de contrato na entrega da soja da última safra ao grupo multinacional asiático Noble. O caso ainda está na Justiça, mas fontes do mercado apontam uma postura pouco amigável da Vanguarda com a Noble, o que poderia gerar seqüelas e dificultar a captação de novos recursos para outros grupos de Mato Grosso.

A Vanguarda reflete o estilo controverso de Otaviano Pivetta, um catarinense que cursou apenas o primário na escola, chegando à região em 1984, aos 21 anos. Na parede da sala do 17º andar de um imponente edifício comercial de Cuiabá, estão o histórico escolar e a nota fiscal da mudança da família Pivetta para o Centro-Oeste. Tenho só o primário, mas cheguei aqui sabendo fazer o que mais gosto, que é plantar e gerar riqueza , diz. Prefeito de Lucas do Rio Verde por dois mandatos e deputado estadual licenciado (PDT), o empresário tem aspirações políticas maiores. Amigos apontam um sonho de eleger-se ao Senado. Amigo de longa data do governador Blairo Maggi (PR), Pivetta desconversa e afirma que, agora, só quer cuidar dos negócios da Vanguarda. Mas seu nome é lembrado em todas as rodas políticas do Estado.

(Mauro Zanatta | Valor Econômico)

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