ZURIQUE (Reuters) - O banco suíço UBS deve anunciar mais baixas contábeis antes da reunião de seus acionistas, marcada para 2 de outubro, mas a instituição pode tentar convencer o mercado de que isso é o sinal de reversão, uma vez que o valor de novas baixas contábeis será menor do que as perdas divulgadas nos últimos trimestres, disseram analistas. O novo presidente do conselho de administração do banco, Peter Kurer, que está se esforçando para separar os problemas do conturbado braço de investimentos da área de gestão de recursos, além de prometer melhoras na governança e menos bônus a executivos, vai se encontrar com acionistas na quinta-feira para eleger quatro novos membros do conselho diretor.

Analistas disseram que um comunicado ao mercado pode ser emitido pelo banco antes disso, mas a instituição não quis comentar o assunto.

A assembléia geral extraordinária de acionistas, que se segue à maior revisão de estratégia da história do banco, acontece num momento em que o Congresso dos Estados Unidos pode aprovar um pacote de ajuda ao setor financeiro que pode beneficiar o UBS e em que surgem notícias de que outros bancos europeus começam a sentir os efeitos da crise.

Os poucos analistas que se atreveram a estimar um número, apesar da volatilidade recente do mercado, acreditam que o UBS vai reportar uma nova baixa contábil de cerca de 3 bilhões de francos suíços (2,76 bilhões de dólares) em sua área de investimentos de risco no terceiro trimestre, que termina nesta terça-feira.

A nova perda é menor que os 5 bilhões de dólares anunciados no segundo trimestre e também menor do que a estimativa do mercado para o terceiro quarto do ano, que apontava outra baixa de 5 bilhões de dólares.

O UBS já anunciou baixas contábeis de 42 bilhões de dólares, mais do que qualquer outro banco na Europa, em função da larga exposição do banco a papéis podres vinculados a ativos hipotecários nos Estados Unidos. Esse volume de perdas levou as ações da instituição a perderem 55 por cento do valor só neste ano, alimentando especulações de que o UBS poderia ser alvo de compra pelo britânico HSBC, ou compor uma fusão com o Credit Suisse.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.