SÃO PAULO - A americana Tyson Foods, que registrou prejuízo líquido de US$ 112 milhões no primeiro trimestre encerrado no dia 27 de dezembro passado, disse que as medidas que está tomando para melhorar o desempenho no segmento de frango devem fazê-la voltar à lucratividade dentro dos próximos dois trimestres. Além de cortar em 5% a produção de frango em dezembro, a maior empresa americana de carne está mudando seu mix de produtos e buscando mais produtividade em suas plantas.

Em igual trimestre do ano fiscal anterior, a Tyson, que entrou no Brasil em setembro de 2008, tinha lucrado US$ 34 milhões. Segundo informou a empresa, a receita no primeiro trimestre foi de US$ 6,521 bilhões, crescimento de apenas 0,7% ante US$ 6,476 bilhões em igual período um ano antes.

O segmento de aves, que respondeu por 34,3% das vendas líquidas da Tyson, teve perda operacional de US$ 286 milhões no período. As vendas e os resultados operacionais foram beneficiados por preços de venda mais altos e alta nos volumes, principalmente nas negócios no exterior, informa comunicado da empresa. Mas os resultados operacionais também foram prejudicados pela alta dos custos de grãos de US$ 183 milhões e perdas líquidas de US$ 197 milhões de atividades de gerenciamento de risco de commodities relacionadas a compras de grãos, quando comparadas ao mesmo período do ano fiscal 2008.

No caso da carne bovina, principal fonte de receita da Tyson no primeiro trimestre (com 40,8% do das vendas líquidas), os resultados operacionais foram favorecidos por uma alta nos preços médios de venda e menores preços médios do gado para abate, apesar da queda nos volumes. Nesse caso, houve impacto positivo de ganhos líquidos de US$ 41 milhões de atividades de gerenciamento de risco de commodities relacionadas a contratos para boi.

No negócio suínos, que correspondeu a 13,5% das vendas líquidas no período, os resultados operacionais foram beneficados pelo maior preço médio de venda, o que compensou as cotações maiores do animal vivo e o decréscimo nas vendas, segundo a Tyson. Além disso, esses resultados foram prejudicados por uma queda nos ganhos líquidos de US$ 20 milhões das atividades de gerenciamento de risco de commodities relacionados a contratos futuros de suíno.

No segmento de pratos prontos (11,4% das vendas líquidas), o resultado operacional foi de US$ 35 milhões no primeiro trimestre do ano fiscal 2009. Aumento de preços médios e maiores volumes compensaram os custos mais altos das matérias-primas.

Leland Tollett, presidente interino e CEO da Tyson, disse, em teleconferência, que os fundamentos no setor de frango estão melhorando, o valor dos produtos está em alta e os custos, recuando. Segundo o Wall Street Journal, a decisão da Tyson de reduzir a produção de frango é uma reversão na estratégia da companhia, que resistia à pressão dos analistas de Wall Street para temporariamente reduzir suas vendas de frango para enfrentar a desaceleração econômica. Quedas nas vendas de carne de frango para o segmento de restaurantes fizeram os estoques da Tyson subir tão rapidamente em dezembro que a companhia foi forçada a reduzir a produção.

Segundo Tollett, que substituiu Richard Bond como CEO da Tyson no começo do mês, houve melhora nas condições de mercado para carne bovina desde dezembro.

Tollet voltou ao cargo num momento em que o setor de carnes nos EUA sofre com a desaceleração da demanda. Momento também em que a Tyson reforça sua operação no Brasil. Na semana passada, a empresa anunciou acordo com a Globoaves , de Cascavel (PR), para ampliar a oferta de frango para exportação. A Globoaves vai fornecer frango vivo e abater 60 mil aves por dia para a Tyson. A americana tem hoje três unidades no Brasil, após a aquisição, em setembro de 2008, da Macedo Agroindustrial, da Avita e da Frangobras.

(Valor Econômico)

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