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Tyco Dinaço fecha fábrica e retrata impactos no setor

SÃO PAULO - Mesmo com a expectativa de relativa recuperação das vendas neste mês, o segmento de distribuição de aços planos não está passando imune à crise financeira mundial. Ontem, cerca de 160 metalúrgicos ocuparam a fábrica da Tyco Dinaço, em São Paulo, para protestar contra o fechamento da unidade.

Valor Online |

Trata-se do segundo caso de uma distribuidora de aço a ter de tomar medidas para reduzir os impactos da retração do mercado no país. O primeiro foi da Zamprogna, recentemente vendida à Rio Negro, braço de distribuição do grupo Usiminas. Segundo fontes próximas à empresa, se a Zamprogna não fosse vendida, em dois meses poderia entrar em concordata. O valor do negócio foi de R$ 565 milhões, incluindo as dívidas da companhia (distribuidora e também fabricante de tubos).

Já a Tyco Dinaço informou que o fechamento da fábrica de São Paulo irá proporcionar uma redução significativa de custos operacionais para ela e seus clientes. Com outra unidade em Caxias (RS) fazia cerca de 100 mil toneladas/ano. Ao encerrar as atividades, as operações da Tyco no país ficam concentradas em Caxias. No total, 120 postos de trabalho foram cortados com a medida. A Tyco Dinaço faz parte do grupo americano Tyco, presente em mais de cem países.

O protesto contra as demissões foi organizado pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo. Em nota, a entidade afirmou que a ocupação ocorreu depois de os trabalhadores receberem carta da empresa anunciando o fechamento da unidade e a demissão de todos os funcionários. Depois disto, o sindicato "deliberou por ocupar a fábrica e impedir a retirada de materiais".

"Se a fábrica vai fechar, queremos o pagamento de todos os direitos e um pacote de benefícios", disse David Martins, diretor do Sindicato. No fim da tarde de ontem, a Tyco Dinaço garantiu, também em comunicado, o pagamento de seus direitos e haveres, conforme a legislação brasileira e que os valores devidos serão depositados dentro dos prazos legais. Em relação ao pedido de benefícios adicionais, a companhia informou que irá discuti-los com o sindicato.

A previsão de recuperação nas vendas foi dada pelo Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda). Em entrevista ao Valor, o presidente da entidade, Christiano Freire, a expectativa de venda em janeiro e fevereiro é de 230 mil toneladas em cada mês, o significará uma retomada de cerca de 40% sobre dezembro, quando foram vendidas 160 mil toneladas pelos distribuidores de aço.

Para Alexandre Plassa, diretor superintendente da Tubos Ipiranga, a questão que mais tem preocupado o setor é o alto preço do material estocado. "Os preços do aço já apontam para uma tendência de queda, o que é bastante preocupante para quem está com estoques elevados", afirmou.

Na Tubos Ipiranga, segundo ele, as vendas do início do ano estão ancoradas em projetos da Petrobras, como o da Replan, em Paulínia (SP), e de Macaé (RJ). "Em setores como o sucroalcooleiro e mineração, vimos quedas acentuadas. Porém, na Petrobras o volume aqueceu e é isto que está segurando os nossos números", afirmou.

(Guilherme Manechini | Valor Econômico )

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