GENEBRA - A crise financeira global atual levará a uma gradual desvalorização do real e de moedas do Leste Europeu, na avaliação da Agencia das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad).

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Em apenas um mês, a moeda brasileira caiu 18,8% frente ao iene japonês e 9,7% em relação ao franco suíço, com a redução de operações de "carry trade", exemplificou ontem Heiner Flassbeck, principal economista da entidade e ex-secretário de finanças da Alemanha.

Pelo "carry trade", especuladores pegam emprestado em divisas com franco rendimento, como o iene e o franco suíço, a fim de aplicar em ativos mais rentáveis, principalmente no Brasil. "Só que agora as posições de carry trade declinaram forte, e o dinheiro volta aos mercados externos", notou.

"No longo prazo, a desvalorização do real é necessária para melhorar a competitividade da indústria brasileira. Mas no curto prazo, vai causar dores a quem se endividou muito em moeda estrangeira", afirmou o economista da Unctad.

Falando diante de representantes de dezenas de países, Flassbeck denunciou o que chama de ''misled speculation'' (especulação corrompida) nos estragos atuais do mercado financeiro e na economia real. ''O subprime não é o único exemplo dessa ''misled speculation'', o carry trade também está desabando'', insistiu o economista.

Contrariando o receituário de outras organizações internacionais, a Unctad, de acordo com o economista, considera que a inflação não é um grande problema global e defende redução da taxa de juros para evitar uma desaceleração econômica mundial prolongada.

A Unctad reitera também que os países em desenvolvimento, que se transformaram em exportadores de capital para o mundo industrializado, não precisam de financiamento no rastro da crise atual.

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