As ondas de turbulência da crise econômica internacional ameaçam se transformar em tsunami, segundo o secretário-geral da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), José Angel Gurría. Convidado a um seminário sobre economia e integração entre União Européia e América Latina, em Paris, o economista, ao lado do diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Juan Somavía, disparou contra a globalização.

A intervenção foi a segunda manifestação pública do chefe da entidade - que reúne 30 dos países mais ricos do mundo - depois do agravamento da crise de liquidez do sistema financeiro internacional. Desde então, os especialistas da instituição estão instruídos pelo Serviço de Relações com a Mídia a não falar à imprensa. Ontem, no entanto, discursando em Paris a um público de economistas, diplomatas, acadêmicos, estudantes e jornalistas, o secretário-geral da OCDE não poupou palavras duras para definir o momento mundial, que definiu como a crise mais grave desde a Grande Depressão, nos anos 1930.

Gurría defendeu a tese de que a globalização "criou novas desigualdades" e que a política fiscal e orçamentária de países em desenvolvimento deveria tornar melhor o ambiente social, mas "não funciona". "Os países da América Latina não devem se contentar em usar seus impostos e orçamentos para estabilizar a economia, mas também para reduzir as desigualdades." As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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