O namoro é antigo, mas o casamento deve ter sido feito meio às pressas, afirmou o colunista do iG José Paulo Kupfer (http://colunistas.ig.com.br/jpkupfer/leia o blog) sobre a fusão entre Itaú e Unibanco, anunciada nesta segunda-feira. ¿Tudo indica que o Unibanco foi comprado pelo Itaú¿, disse o colunista em chat no iG nesta tarde.

De acordo com Kupfer, não haverá criação de monopólio com a fusão, porque o setor bancário nacional constitui um oligopólio. Embora sejam mais de 150 bancos, o setor está concentrado na mão de poucos, tipo de mercado em que poucos vendem para muitos, explica o colunista.

Segundo ele, a tendência dos oligopólios é competir muito em propaganda, procurando diferenças de nicho e de público, e menos nos preços e nos produtos oferecidos. Em teoria, portanto, a tendência é um controle maior dos preços, ou seja, dos juros, que é o preço do dinheiro, mercadoria que banco comercia. Leia abaixo, os destaques do chat.

Curto prazo

Kupfer explica que, no curto prazo, a fusão é boa porque fortalece as duas instituições. Mas, depois que a crise passar, a concentração não é boa.

Funcionários

O padrão em fusões desse tipo é que, verificando as superposições, haja um movimento para limpar o conjunto. Isso tende a atingir funcionários, agências, etc. Mas não sabemos ainda os termos do contrato entre os dois bancos - se, por exemplo, poderia haver ou não absorção do nome Unibanco. Mas, em casos que obedecem aos padrões, a tendência é que o Unibanco seja absorvido. Se houver superposição, haverá cortes ou, pelo menos, remanejamentos. É preciso ver os termos do contrato. Há uma idéia de gestão compartilhada, aproveitando os bons administradores e a tradição do Unibanco.

Clientes

Se muda pouco para clientes, com depósitos e aplicações no Unibanco, muda menos ainda para os clientes do Itaú. Por enquanto, o Unibanco continua como era até hoje. Para o correntista, no momento não muda nada. Do ponto de vista da segurança, inclusive, nesta hora de turbulências, é melhor. Depois, precisa ver como vai ser.

BC

Se o Banco Central não aprovar [a operação], volta tudo atrás. Mas esta é uma hipótese muito mais do que teórica.

Ações

Essa fusão não envolveu dinheiro propriamente: é uma troca de ações, dentro de uma proporção negociada. Ambos resolveram dificuldades com uma união. Não posso dizer se é bom investimento comprar ações desses bancos hoje, com tantas incertezas na economia global. Não sei o que pode ocorrer com as ações do Itaú e do Unibanco e menos ainda com a da nova instituição.

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