BRASÍLIA - O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) autorizou, na noite de ontem, a utilização de forças federais no Rio de Janeiro. A princípio, as forças não irão subir os morros, nem entrar nas favelas. Mas, se houver qualquer necessidade de tropas para proteger o processo eleitoral, a autorização já foi concedida, bastando haver requisição formal do governo fluminense. Assim, a medida aprovada, ontem, garante a agilidade no combate a eventuais crimes nas eleições.

O presidente do TSE, ministro Carlos Ayres Britto, justificou a medida alegando que, hoje, três direitos podem ser violados nas eleições na capital fluminense: o direito do cidadão escolher livremente os seus candidatos, o direito de os próprios candidatos fazerem campanha e, por fim, de a imprensa cobrir as eleições.

O TSE recebeu informações de que há vários riscos às eleições. As milícias estariam monopolizando os espaços para propaganda eleitoral, impedindo a entrada de gás e de transportes coletivos em algumas comunidades, regulando o acesso a canais de TV aberta e fechada e existe a possibilidade de tirarem do ar o programa eleitoral. Além disso, as milícias têm propagado que a urna é devassável, o que, segundo Britto, leva as pessoas a ficarem coagidas em seus votos: Há promessas de vendas de comunidades inteiras, do tipo porteira fechada, para fins de negociação de voto .

(Juliano Basile | Valor Econômico)

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