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Trichet evita dizer que o pior já passou

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, respira fundo e ganha alguns preciosos segundos antes de responder a uma questão sobre a duração da turbulência nos mercados financeiros globais. Cautelosamente, evita afirmar que o pior já passou.

Agência Estado |

"É um processo em andamento", disse ele ontem, em São Paulo, depois de participar da reunião bimestral do Banco de Compensações Internacionais (BIS, em inglês). A instituição é considerada o banco central dos bancos centrais.

O encontro realizado na capital paulista foi o primeiro depois da quebra do banco de investimentos americano Lehman Brothers, em 15 de setembro, que desencadeou a onda de pânico que varreu o mercado global até parte de outubro.

O francês ressaltou que as declarações em São Paulo foram dadas na condição de presidente do Global Economy Meeting, entidade que reúne 30 banqueiros centrais do mundo todo.

O máximo a que se arriscou Trichet foi dizer que o processo de correção dos mercados é longo. Por isso, observou, "é preciso ficar muito atento". O presidente do BCE lembrou que os primeiros sinais de turbulência surgiram em agosto do ano passado - mas o pior (ao menos até o momento) só estourou em outubro deste ano.

Trichet também foi cauteloso ao falar em deflação no mundo. No fim de semana, durante a reunião do G-20 também em São Paulo, alguns participantes, entre eles o ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, alertaram para o risco de o mundo passar por um processo deflacionário, decorrente da desaceleração econômica.

"Discutimos desinflação, não deflação", frisou. A diferença parece sutil, mas é importante. No primeiro caso, refere-se à tendência de desaceleração dos índices de preços, em conseqüência, por exemplo, do recuo das cotações do petróleo no mercado internacional. Deflação é quando os preços realmente ficam mais baixos.

Em uma primeira análise, parece bom, mas pode ser reflexo de uma queda substancial da atividade econômica. Às vésperas de desvalorizar o real, em 1998, por exemplo, o Brasil teve deflação. Na época, a taxa básica de juros era altíssima para que o País conseguisse atrair capitais do exterior e, assim, mantivesse o regime de câmbio semifixo conhecido como crawling peg. Juro alto desestimula o crescimento da economia.

Trichet fez um balanço positivo das medidas adotadas pelos bancos centrais no mundo para conter os efeitos da crise e retomar a liquidez nos mercados financeiros. "Adotamos uma postura proativa", resumiu. Ele lembrou que os BCs procuraram atacar em duas frentes: a primeira, provendo liquidez e a segunda, garantindo a solvência de instituições financeiras.

Os governos de Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha compraram participação acionária em bancos privados a fim de evitar a quebra de tais instituições.

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