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Frankfurt (Alemanha), 30 set (EFE) - O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, afirmou hoje que a raiz dos problemas enfrentados por muitas das instituições financeiras afetadas pelas turbulências do mercado está na incapacidade destas de calcular os riscos de suas operações.

"As falhas nos sistemas de gestão de risco demonstraram ser fatores determinantes na acumulação de riscos a longo prazo e que não foram devidamente identificadas a tempo", disse Trichet ao receber hoje, em Frankfurt, o prêmio de "Banqueiro do ano 2007".

O presidente do BCE também criticou a falta de transparência com a qual foram feitas muitas operações financeiras e o emaranhado de produtos dificilmente identificáveis pelos participantes do mercado criado.

Trichet lembrou que o sistema financeiro é integrado globalmente e, como conseqüência disso, age como vasos comunicantes, daí, destacou, a importância de uma cooperação estreita entre bancos centrais.

Nesse sentido, ele se referiu ao acordo que o BCE e outros bancos centrais possuem com o Federal Reserve (Fed, autoridade monetária dos Estados Unidos), cooperação que está permitindo injetar de forma coordenada liquidez aos mercados em dólares.

Ele lembrou, no entanto, que o BCE faz uma distinção muito rigorosa entre política monetária e fornecimento de liquidez.

Trichet especificou que a política monetária se orienta a médio prazo e tem como objetivo a estabilidade dos preços, enquanto a política de liquidez é manter o mercado monetário nas margens da taxa de juros.

Espera-se que, na quinta-feira, o BCE mantenha os juros na zona do euro em 4,25% devido às pressões inflacionárias, acreditam os mercados.

O banco europeu subiu as taxas pela última vez no início de julho de forma moderada para enfrentar as pressões inflacionárias geradas pelo encarecimento da energia e dos alimentos.

Apesar de a taxa de inflação da zona do euro ter caído dois décimos em agosto, até 3,8%, em relação ao mês anterior, ainda se situa em um nível alto.

Além disso, as expectativas de inflação também são elevadas e se afastam da definição de estabilidade de preços do BCE, que é uma taxa próxima, mas sempre abaixo, de 2%. EFE cv/db