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Transpetro rebate Usiminas e diz que preços são altos

A queda de braço entre a Usiminas e a Transpetro ganhou hoje um novo capítulo. A subsidiária da Petrobras divulgou nesta tarde um comunicado reafirmando seu compromisso com a geração de empregos no País e afirmando que só não comprou aço da siderúrgica brasileira porque ela apresentou preço 60% maior do que companhias chinesas em licitação aberta para a compra de parte do insumo para a construção de navios.

Agência Estado |

"Ou seja, ao ficar em 11º lugar em 11 concorrentes, a Usiminas apresentou uma oferta superior à média do mercado sob qualquer ângulo", diz a direção da Transpetro.

"Participaram deste processo onze empresas de sete países diferentes: Brasil, China, Coreia do Sul, Indonésia, Macedônia, Romênia e Ucrânia. Coincidentemente o único grande produtor mundial que preferiu não participar da tomada de preços foi o Japão, cuja principal siderúrgica, a Nippon Steel, está ampliando a sua participação no controle societário da Usiminas." Foi nesta licitação que a Transpetro alega que a Usiminas, apresentou proposta 60% superior à menor oferta entre todas as 11 concorrentes.

Durante a semana, o vice-presidente do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), Marco Polo de Mello Lopes, chegou a pedir uma audiência com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, para criticar a postura da Transpetro que estaria "gerando empregos na China em um momento de crise".

A nota divulgada hoje pela Transpetro foi motivada por um informe publicitário pago pela Usiminas e publicado hoje nos principais jornais do País. No anúncio, a empresa insinuou que a Transpetro estaria impondo "preços chineses" e favorecendo o "dumping". Em seu informe, a Usiminas também insinua a existência de "práticas desleais de comércio". "O problema deste raciocínio torto é que a Usiminas não está com uma oferta acima dos 'preços chineses', mas muito acima dos preços praticados no mundo todo. Somente muita imaginação da direção Usiminas poderia chegar à conclusão de que, em momento de crise mundial como o atual, dez empresas de seis países poderiam montar um conluio para combinar preços", afirma a nota da Transpetro.

O impasse entre a Transpetro e a Usiminas não é de agora. Desde que lançou seu Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), em 2004, para reiniciar a construção de petroleiros no País depois de quase 20 anos apenas fretando navios estrangeiros, a subsidiária da Petrobras enfrentou problemas para a contratação do aço. O programa teve a contratação de 26 navios petroleiros na primeira fase com investimentos de US$ 2,5 bilhões e prevê a contratação de mais 23 na segunda fase.

A Usiminas é a única fornecedora no mercado nacional do tipo de aço duplo necessário para os novos petroleiros. Segundo a Transpetro, o aço corresponde a 30% do custo de um navio, sendo, portanto, um item fundamental na cadeia produtiva da indústria naval. "Isto significa que aceitar as condições monopolistas da nipo-brasileira Usiminas é o mesmo que arrasar a indústria naval no nascedouro", afirma a nota da Transpetro.

Por conta da dificuldade da negociação do aço para os primeiros navios encomendados junto a Usiminas, a Transpetro chegou a excluir o insumo da contabilização do conteúdo nacional dos navios, que necessariamente teria de chegar a 65%. Assim, puxou para si a etapa de negociação para a compra do aço, deixando os estaleiros apenas com a aquisição dos demais equipamentos e construção efetiva dos navios. A economia na tomada de preços à época da negociação chegou a quase 30%.

Ao longos dos últimos anos, foram um total de quatro licitações, dos quais uma carga da China, uma da Ucrânia, e duas da Usiminas, perfazendo um total de 10% do aço necessário para a construção de todos os navios encomendados na primeira fase do Promef. "Deve-se frisar que sempre que a Usiminas ofereceu preços competitivos, a Transpetro encomendou aço à companhia", diz a nota da empresa.

A Transpetro afirmou ainda que em seu informe publicitário, a Usiminas faz a defesa de "preços mínimos" nas concorrências internacionais e ameaça a "instalação de processo que visa protegê-la (a ela, Usiminas)". "O que o informe publicitário não diz é que isto tem um nome: monopólio privado. O que a Usiminas defende é a tentativa de usar o monopólio privado nipo-brasileiro para impor preços e condições ao Brasil. A nipo-brasileira Usiminas quer uma reserva de mercado, na contramão da linguagem mundial da competitividade", diz a Transpetro.

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