Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Transformação de Goldman Sachs e Morgan Stanley representa fim de uma era

Mar Gonzalo. Nova York, 22 set (EFE).- A transformação a partir de hoje do Goldman Sachs e do Morgan Stanley em bancos comerciais representa a extinção da espécie formada pelas grandes entidades de investimento independentes, assim como o fechamento definitivo de um modelo de negócio que definiu Wall Street durante décadas.

EFE |

Ao não estarem controlados pelo banco central americano, os bancos de investimento independentes podiam administrar de forma mais autônoma e assumir maiores riscos que as entidades comerciais.

No entanto, a tempestade financeira criada pela crise revelou nas últimas semanas as debilidades deste tipo de entidades e, com a venda em massa de suas ações, os investidores parecem ter deixado claro que já não confiam na viabilidade de seu modelo de negócio.

Isto obrigou o Goldman Sachs e o Morgan Stanley, os dois únicos exemplares de sua espécie que permaneciam de pé, a transformarem suas estruturas para se tornarem bancos comerciais e gozarem assim da estabilidade dos depósitos multimilionários que estas entidades gozam.

A conversão foi aprovada no domingo à noite pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) no âmbito da aplicação do plano orquestrado por Washington para realizar um resgate público sem precedentes de um setor duramente afetado pela crise.

Esta intervenção pública, que representará um custo de cerca de US$ 700 bilhões e que ainda deve ser aprovada pelo Congresso, serviu como uma prova contundente da quebra do modelo do livre capitalismo.

A conversão do Goldman e do Morgan em bancos comerciais ocorre exatamente uma semana após o Merrill Lynch anunciar sua venda ao Bank of America e o Lehman Brothers declarar sua quebra.

Há seis meses, o Bear Stearns, o quinto dos grandes bancos de investimento de Wall Street, foi adquirido pelo JP Morgan Chase após seu colapso na bolsa.

A idéia é que, sob o novo status, o Goldman, o Morgan e também o Merrill possam ter acesso aos fundos de emergência colocados à disposição dos bancos pelo Fed para aumentar sua liquidez.

Em troca, deixarão de ser controlados pela Comissão da Bolsa de Valores (SEC), o que garante práticas menos arriscadas e a manutenção de reservas e provisões muito elevadas.

Para isto, o Goldman Sachs derivará ativos para uma entidade chamada GS Bank USA e deslocará assim o Wachovia para o posto de quarta maior holding bancária do país, com cerca de US$ 150 bilhões em ativos, segundo seus próprios cálculos.

Já Morgan Stanley, que nas últimas semanas negociava uma possível fusão com um banco - entre eles o Wachovia -, explicou hoje que sua conversão lhe conferirá "máxima flexibilidade e estabilidade para buscar novas oportunidades de investimento à medida que o mercado sofre profundas mudanças".

O Morgan Stanely, que tem mais de três milhões de contas no varejo e US$ 36 bilhões em depósitos, transformará para isto seu banco industrial com sede em Utah em uma entidade comercial nacional.

Com esta transformação acaba o modelo de investimento de Wall Street que contava com entidades independentes conhecidas por comprar e vender ativos com alta rentabilidade e assessorar desde as maiores multinacionais até os Governos e famílias milionárias de todo o mundo.

Este modelo surgiu com a aprovação em 1933 da lei bancária, conhecida como Glass-Steagall, que estabelecia a divisão obrigatória das atividades de bancos comerciais e de investimento.

Esta obrigatoriedade foi anulada há alguns anos, mas perduraram os grandes bancos de investimento que cresceram com o apoio daquela lei.

A saída achada para o Goldman e o Morgan não gerou grande entusiasmo entre os investidores, que inicialmente penalizaram as entidades hoje com quedas, após na sexta as duas terem fechado com aumentos superiores a 20% nas bolsas de valores.

Por outro lado, eles receberam com agrado a injeção de capital acertada entre o Morgan Stanley e o Mitsubishi UFJ, o maior banco do Japão e o segundo do mundo por depósitos bancários.

Trata-se de uma "aliança estratégica" que garantirá ao Mitsubishi UFJ a compra de 10% a 20% do Morgan por um valor não divulgado, mas que poderia rondar US$ 6 bilhões, segundo os cálculos iniciais dos analistas. EFE mgl/ab/fal

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG