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Trabuco vai suceder Cypriano no Bradesco

No começo dos anos 70, quando o mercado de ações era desconhecido no Brasil, o Bradesco promovia seminários itinerantes para treinar funcionários do interior. Foi numa dessas rodadas que a direção do banco descobriu, em Marília (SP), o então escriturário Luiz Carlos Trabuco Cappi, indicado ontem como próximo presidente da instituição.

Agência Estado |

As perguntas e os comentários de Trabuco no seminário o levaram para São Paulo, onde foi preparado para ministrar o mesmo curso aos colegas.

Esse foi o primeiro grande salto de Trabuco no Bradesco. Há 40 anos no banco, hoje ele é vice-presidente executivo e presidente da Bradesco Seguros. O topo chegará em março, quando o conselho de administração deve confirmar seu nome como sucessor de Márcio Cypriano. Aos 65 anos, por força do estatuto, Cypriano precisa deixar a presidência do banco e deve ir para o conselho de administração.

Aos 57 anos, formado em filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), Trabuco assumirá o cargo em um dos momentos mais delicados da história do Bradesco. Com a fusão entre Itaú e Unibanco, a instituição perdeu quase cinco décadas de liderança do ranking brasileiro dos bancos privados.

Além disso, assiste ao avanço do Banco do Brasil (BB), que briga para retomar o primeiro lugar do ranking nacional geral (perdido para o Itaú-Unibanco). Isso sem falar no crescimento da concorrência estrangeira, especialmente do grupo Santander Real.

Em números, essa disputa traz o Itaú-Unibanco com ativos de R$ 575 bilhões, o Banco do Brasil (após a compra de 49% do Votorantim) com R$ 553 bilhões, o Bradesco com R$ 422,7 bilhões e o Santander Real com R$ 301,7 bilhões.

Para dificultar ainda mais a tarefa de Trabuco, praticamente não existem mais atalhos que possibilitem ao Bradesco dar grandes saltos no ranking de uma só vez. Em outras palavras: as opções de compras no Brasil rarearam.

"A saída é o crescimento orgânico", disse o presidente da agência de classificação de risco Austin Rating, Erivelto Rodrigues. O analista João Augusto Salles, da consultoria Lopes Filho e Associados, concorda. "Trabuco terá de expandir o banco mantendo a eficiência", afirmou.

A dúvida está em saber se a estratégia de crescimento orgânico será suficiente para que o Bradesco recupere a liderança - ou ao menos volte a brigar de perto por ela. Erivelto Rodrigues acha que sim. "Trabuco é muito agressivo, um trator para trabalhar", disse.

Os números da Bradesco Seguros dão uma pista do que esperar. Trabuco assumiu o comando da divisão em março de 2003. Naquele ano, a área respondeu por 26,7% do lucro do Bradesco. Em 2004, a fatia já havia saltado para 29%. Entre janeiro e setembro deste ano, foi a 35%.

Para ganhar espaço dentro do grupo mesmo em um ambiente no qual a atividade bancária em geral teve expressivo crescimento, Trabuco lançou novos produtos, investiu na captação de novos clientes e, segundo pessoas ligadas ao banco, cortou violentamente custos.

De certa forma, o percurso recente de Trabuco lembra um pouco o de Márcio Cypriano. Os dois foram deslocados da diretoria executiva para tarefas externas - e passaram a ser observados pelos outros diretores. Cypriano fez a integração do BCN com o Bradesco. Trabuco foi para a seguradora. Bem sucedidos, os dois retornaram para a matriz, em Osasco, e foram indicados para ocupar a presidência executiva.

Nos seus dez anos como presidente do Bradesco, Cypriano segmentou o banco, comprou outras instituições e bateu recordes de lucro. Mesmo assim, deixa a presidência com o banco atrás do Itaú, seu rival histórico. Embora a diretoria não fale no assunto, uma mudança no estatuto para permitir uma esticada no mandato de Cypriano foi discutida no banco.

Mas Cypriano, nos últimos tempos, tem mostrado interesses que vão além do banco. Ciclista dedicado, ele participa de um grupo que pedala à noite pela cidade de São Paulo. Tem frequentado festas e colunas sociais - situação que incomoda algumas pessoas dentro do banco, que sempre chamou a atenção pelo comportamento recatado de seus executivos.

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