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Kristian Cerino. México, 7 abr (EFE).

Kristian Cerino. México, 7 abr (EFE).- Centenas de índios mexicanos trabalham nas minas de Simojovel, em Chiapas (sul do México), na extração rudimentar de âmbar, arriscando suas vidas por 150 pesos por dia (US$ 12). O preço do âmbar, resina vegetal fossilizada, se multiplica nas joalherias onde as pedras podem chegar a preços de até 20 mil pesos (US$ 1,6 mil), informam autoridades locais. Fontes do Conselho Regulador do Âmbar em Simojovel explicaram à Agência Efe que o âmbar da região mexicana tem uma antiguidade entre 25 milhões e 40 milhões de anos, o que o torna mais duro que qualquer outro âmbar do mundo. Cerca de 1,7 mil pessoas das 17 mil que vivem em Simojovel se dedicam à extração dessas pedras semipreciosas nas nove minas que rodeiam o povoado predominantemente indígena, que produz 3,5 toneladas de âmbar por ano, equivalente a 90% da produção do estado de Chiapas. Para extrair essa resina, os trabalhadores passam oito horas debaixo da terra em péssimas condições de salubridade porque há pouco oxigênio e as temperaturas beiram os 40 graus. Apesar da morte de vários trabalhadores por asfixia nos últimos anos, vários continuam descendo as minas em vagões rudimentares e com precários cinzéis e martelos para extrair as pedras. Mario Gómez, de 22 anos, já passou praticamente metade da vida se dedicando a esse trabalho. Primeiro ele trabalha com a extração do âmbar para em seguida transportá-lo a locais onde as mulheres se dedicam a limpá-lo. "Gastamos muito em pilhas porque usamos lanternas, pois dentro não se vê nada e quase não conversamos para não gastar energia e oxigênio, pois alguém pode se afogar", explicou Gómez à Agência Efe. Ele relatou que, quando estão a 200 metros debaixo da terra, os trabalhadores só conseguem martelar três vezes as paredes da mina para evitar o cansaço e respirar o pouco oxigênio disponível. Segundo Gómez, quando os trabalhadores ficam cansados, se deitam até conseguirem se recuperar. As pedras grandes de âmbar são as que dão mais lucro, mas frequentemente só encontram pequenas resinas. "Se são pedras grandes, usam-se para colares e acessórios mais trabalhados e isso também aumenta o valor, mas antes de tudo isso é necessário limpar o carvão e poli-los para que se vejam mais brilhantes", afirmou Gómez. Laureano Hernández, outro trabalhador, declarou que sua primeira descida à mina lhe causou claustrofobia, mas com o passar do tempo ele superou. Hernández acrescentou que se acostumou com a falta de oxigênio, que combate descendo com calma e lentamente até as profundezas da mina, explicou à Agência Efe. Apesar da grande atividade das minas de Simojovel, o Conselho Regulador do Âmbar da região informa a cada ano sobre uma redução na produção. O Conselho denunciou que em alguns mercados locais se vende âmbar com o falso argumento de que procede dessa região quando na realidade é de origem desconhecida, declarou Guadalupe del Carmen, porta-voz da entidade. Cada mina conta com um comissário para revisar as pedras. Quando elas possuem um inseto em seu interior, o preço dispara. O porta-voz do Conselho Regulador do Âmbar afirmou que há vendedores que pintam o âmbar ou introduzem insetos grandes, como mosquitos ou baratas, para aumentar seu valor. As cores variam entre o amarelo, que é o mais comum, ao azul, vermelho e preto. As mais cotadas e difíceis de serem extraídas são as pedras brancas e as verdes. Simojovel, que conta com um Museu Comunitário do Âmbar, é um dos povoados que constituem a chamada Região do Âmbar, do estado de Chiapas, cuja pedra é uma das mais valorizadas do mundo. EFE kc/sa
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