O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, aposta na formação de até três consórcios para disputar o leilão da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará. Na avaliação dele, as empresas que se inscreveram para fazer parcerias com as do Grupo Eletrobrás devem se agrupar em mais um ou dois consórcios, além do grupo liderado pela Andrade Gutierrez.

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, aposta na formação de até três consórcios para disputar o leilão da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará. Na avaliação dele, as empresas que se inscreveram para fazer parcerias com as do Grupo Eletrobrás devem se agrupar em mais um ou dois consórcios, além do grupo liderado pela Andrade Gutierrez. "A Eletronorte abriu a inscrição para os interessados e um número bastante significativo de interessados pulverizados se candidatou. A tendência é de eles se agruparem e formarem um ou dois novos consórcios, além daquele que já está formado", disse à Agência Estado o presidente da EPE, após participar de um debate sobre o empreendimento na emissora católica da TV Rede Vida. Mesmo que o resultado do leilão não baixe o preço teto de R$ 83 por megawatt/hora, por falta de disputa, ainda assim o leilão seria um sucesso, disse Tolmasquim. "O preço da tarifa (de Belo Monte) é extremamente competitivo. É um preço muito mais baixo do que se tem (pago) na contratação de energia", disse o presidente da EPE. O executivo lembrou que o custo da energia produzida na Hidrelétrica de Belo Monte é praticamente a metade do verificado em outras formas de geração de energia - R$ 83,00 por megawatt/hora (MWh), ante R$ 145,00 das termoelétricas e de R$ 145,00 a R$ 150,00 da energia nuclear. Na avaliação de Tolmasquim, as empresas que se inscreveram isoladamente já entraram com a perspectiva de formarem grupos entre si. "Agora formarão mais um grupo ou dois. No total, pode até haver a formação de três grupos, mas o mais provável é vermos dois", previu o presidente da EPE. Ele explicou que a Eletrobrás recebeu os interessados e agora discutirá com esses grupos como será a formação dos consórcios. "É preciso ver como vai ser feito o casamento. Já estava previsto dessa forma, nada mudou", garantiu. Na quarta-feira passada terminou o prazo dado pela Eletrobrás para o cadastramento de empresas interessadas em fazer parcerias com subsidiárias da estatal. O prazo de inscrição para participar do leilão, porém, se encerra às 18 horas da próxima quarta-feira, dia 14. Sem pressão. Maurício Tolmasquim, que foi responsável pelo estudo econômico-financeiro da futura hidrelétrica, disse que não acha provável que uma empresa privada se apresente sozinha para o leilão de concessão da usina, deixando de fazer parceria com a Eletrobras. "É um empreendimento muito grande e a participação da Eletrobrás ajuda a formar o capital que é necessário, a alavancar recursos. Agora, nada impede que um grupo esteja se articulando e, na hora, apareça. Mas eu não tenho conhecimento disso", disse ele. Para Tolmasquim, o processo está ocorrendo "normalmente". Ele disse que o governo não está fazendo pressão sobre empresas para que surja mais de um consórcio na disputa. "Não existe pressão nenhuma. Mas que pressão que pode ter? Ninguém forma grupos por pressão. Ou se tem interesse ou não se tem. Como é que se pressiona? Eles se inscreveram lá com a Eletronorte", argumentou. Para o presidente da EPE a desistência do grupo formado pela Camargo Corrêa e a Odebrecht foi avaliada como algo "natural". "O grupo resolveu participar do leilão como empreiteira e não como investidor, mas isso não altera nada no processo." Segundo ele, a tradição dessas empresas é a de construir usinas, e não necessariamente investir nelas. "Elas estão interessadas em participar, mas como empreiteiras. Portanto, poderão vir a participar do leilão como empreiteiras, para construir a obra e não para colocar capital", finalizou.
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