Isabel Conde. Tóquio, 28 jan (EFE).- As principais fabricantes de veículos do Japão divulgaram hoje grandes cortes de venda e produção durante o mês de dezembro de 2008, um ano no qual a gigante Toyota registrou a primeira queda de suas exportações em sete anos.

O último ano será recordado como um dos mais sombrios na história do mundo do motor japonês.

Especialmente nas proximidades do final de 2008, quando empresas como Toyota e Nissan sofreram o pior dezembro de sua história quanto à produção de veículos.

A Toyota Motor, que acaba de alcançar o posto de principal montadora do mundo por volume de vendas, registrou em dezembro uma queda de exportações de 27,7%, até o total de 185.784 unidades.

Estes números incluem os de algumas subsidiárias da Toyota: Daihatsu e Hino.

As vendas internacionais da Toyota foram cortadas de forma dura pela crise econômica global e pelo encarecimento do iene, dando lugar a um retrocesso de suas vendas especialmente significativo nos EUA e na América Latina, Entretanto, o gigante não ficou sozinho e assim o resto dos grandes fabricantes japoneses registraram quedas de dois dígitos em suas vendas no exterior durante o último mês do ano.

A Honda Motor, o segundo fabricante de veículos do Japão, anunciou hoje uma queda de 17,5% de suas exportações em dezembro, para o total de 51.893 unidades, e a Nissan, terceira do ranking, diminuiu 58,3% de suas exportações, especialmente para Estados Unidos e Europa, seus principais mercados.

Durante todo o ano, a tendência de queda das exportações foi também destacada, embora um pouco menos porque foi especialmente influenciada pelos resultados dos últimos meses.

No ano passado a Toyota exportou 3,3% a menos (2.783.113 unidades), sua primeira queda em sete anos, a Honda 8% a menos (650.308 veículos) e a Nissan 20,2% a menos (776.738 unidades).

Diante dos primeiros sinais de acentuação dos efeitos da crise, todas as grandes empresas anunciaram cortes de produção, em uma tentativa relativamente em vão de controlar os níveis de seus estoques.

Por isto não surpreendeu que os números anuais e mensais de produção no mundo todo tenham caído.

O retrocesso da produção no exterior foi especialmente significativo para a Toyota e para a Daihatsu, que em conjunto registraram em 2008 uma queda de 1,5% para até 4.313.375 unidades.

Em dezembro apenas, o grupo Toyota marcou uma queda de sua produção global de 22,8%, para até 552.584 veículos.

A Nissan também registrou retrocessos da produção mensal e anual, de 35,9% (176.174 unidades) e 1,1% (3.394.830 unidades), respectivamente.

Tiveram destaque os cortes da empresa japonesa em aliança com a Renault em sua fábrica da Espanha, na Catalunha, onde a Nissan produziu em dezembro 82,4% a menos, para até 2.449 unidades, e 29,5% a menos no conjunto de 2008, para 157.237 veículos.

A Honda, por outro lado, reduziu seus níveis de produção apenas em dezembro, 7,5% a menos, pois no conjunto do ano a aumentou 1,2%, para alcançar um recorde de 3.957.381 de unidades.

Outros fabricantes de automóveis como a Mitsubishi Motors viram cair suas exportações em 51,5% (27.681 veículos) e sua produção global em 38,5% (72.916 unidades) em dezembro, esta última em seu décimo mês consecutivo de baixa.

Em 2008, sua produção caiu 7,8% em caráter anualizado, seu primeiro retrocesso em dois anos, mas suas exportações alcançaram um recorde desde 2003, após aumentar 5,7%.

A Mazda, por outro lado, reduziu sua produção global em dezembro em 41,6%, embora durante o ano tenha aumentado seus níveis de produção em 4,6% até alcançar 1.349.274 unidades. Suas exportações diminuíram 38,6% no mês passado e aumentaram 10% em 2008.

Há vários meses os anúncios de cortes de toda natureza entre as montadoras japonesas para enfrentar a crise vieram acontecendo.

A partir de metade do ano todos revisaram em baixa suas previsões de lucro para o atual ano fiscal, que termina em março, e inclusive a gigante Toyota anunciou suas primeiras perdas por operações desde 1940. EFE icr/fal

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.