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Toyota registrará suas primeiras perdas desde 1940

A montadora japonesa Toyota anunciou nesta segunda-feira que, no exercício 2008-2009, sofrerá as primeiras perdas de sua história, ao atravessar uma situação de emergência sem precedentes motivada pela crise do mercado automotivo.

AFP |

Para o exercício 2008-2009, que termina no fim de março, a Toyota prevê perdas de até 150 bilhões de ienes (1,69 bilhão de dólares), anunciou o presidente do grupo, Katsuaki Watanabe, em uma entrevista coletiva em Nagoya, sede da montadora.

No período anterior, seus lucros operacionais totalizaram 2,27 trilhões de ienes (25 bilhões de dólares).

O grupo previra há alguns meses um lucro de 600 bilhões de ienes. Caso as previsões sombrias da Toyota se concretizem, esta será a primeira vez que as contas da empresa entrarão no vermelho desde o início da publicação dos resultados financeiros em 1940.

A Toyota prevê que a forte valorização do iene em relação ao dólar e ao euro nos últimos meses terá um impacto negativo de 200 bilhões de ienes no resultado.

Estas previsões revelam que a crise no setor mundial automotivo é cada vez mais profunda e que não apenas afeta os gigantes americanos como a General Motors e a Chrysler, que acabam de obter uma ajuda de Washington para tentar evitar a falência.

A Toyota, que rivaliza com a General Motors pelo primeiro lugar mundial no setor, afirmou que deverá cortar sua produção e investimentos para compensar a queda das vendas e a valorização da moeda japonesa, o iene.

"A companhia enfrenta uma crise sem precedentes e não pode evitar registrar um déficit operacional neste exercício", declarou à imprensa, em Nagoya (centro do Japão), o presidente da Toyota, Katsuaki Watanabe.

O construtor, que já suprimiu 3.000 empregos no arquipélago, antecipou que congelará a colocação em andamento de sua nova fábrica no Estado americano de Mississipi e que reduzirá sua produção na Índia.

"A companhia decidiu retardar ou revisar todos seus projetos destinados a incrementar suas capacidades de produção ou construção de novas fábricas", afirmou Watanabe.

A Toyota espera, no entanto, registrar lucros líquidos, mas reduziu suas previsões drasticamente de 550 bilhões de ienes (6,1 bilhões de dólares) a 50 bilhões de ienes (560 milhões de dólares).

O construtor deixa para trás um período de bonança financeira alimentada por uma forte demanda no exterior, principalmente nos Estados Unidos, de seus veículos híbridos.

A crise financeira, que arrastou toda a economia nos Estados Unidos, provocou o desabamento da demanda na primeira potência mundial.

Os analistas afirmam que as previsões da Toyota demonstram que a crise está afetando a todos os construtores de carros e não apenas se restringe aos três grandes de Detroit (General Motors, Chrysler e Ford).

Para os dois primeiros, a Casa Branca aprovou na sexta-feira um pacote de ajuda financeira 13,4 bilhões de dólares a desembolsar de imediato.

"É simbólico para uma companhia como a Toyota, que representa o Japão, sofrer perdas", afirmou Yasuaki Iwamoto, analista da Okasan Securities.

Paralelo a isso, os construtores japoneses Suzuki Motor Corp. e Daihatsu Motor Co. anteciparam nesta segunda-feira que eliminarão mais empregos temporários, para fazer frente a menor demanda.

A Daihatsu, filial da Toyota, suprimirá entre 500 e 600 empregos até o final de março. A Suzuki eliminará 250 mais empregos, com o que o número de cortes anunciado desde outubro será de 850.

si-oh-roc/fp/cn

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