O conglomerado industrial alemão ThyssenKrupp informou ontem que vai ampliar os investimentos em sua nova siderúrgica no Brasil, a CSA, que está sendo construída na cidade de Sepetiba, no Rio de Janeiro. A Thyssen tem 90% do capital da CSA, enquanto a Vale tem 10%.

O plano inicial, aprovado em setembro de 2006, previa um investimento de 3 bilhões para o projeto. Ontem, a ThyssenKrupp anunciou na Alemanha que o valor deve subir para 4,5 bilhões, o equivalente a US$ 6,7 bilhões. Essa é a segunda vez que a empresa revê o valor do investimento. Em maio, a Thyssen havia aumentado o orçamento para entre 3,5 bilhões e 3,7 bilhões.

Entre as razões para a revisão do orçamento estão aumentos de custos para serviços e suprimentos de construção, novas especificações da fábrica, bem como diferenças cambiais com a valorização do real.

Outra razão é que a capacidade de produção da CSA será ampliada. O diretor-financeiro da ThyssenKrupp, Ulrich Middlemann, afirmou que a companhia vai expandir a capacidade em 500 mil toneladas métricas por ano. Com o novo orçamento, a fábrica será capaz de produzir 5,5 milhões de toneladas de placas de aço ao ano.

O plano original previa que dois milhões de toneladas seriam destinadas para a Alemanha, para serem processadas, e as três milhões de toneladas iriam para os Estados Unidos, México e Canadá. A empresa não divulgou quais são os planos para a produção adicional anunciada ontem.

Middlemann afirmou também que poucas empresas rejeitaram os pedidos da Thyssen para renegociar os contratos de fornecimento de aço, para levar em conta o aumento do custo das matérias-primas.

O diretor-financeiro da companhia observou que um aumento de 50 por tonelada métrica no valor dos contratos de aço até 30 de setembro, é "uma suposição razoável".

A empresa também terá de adiar o início das operações da CSA. Lançada no início de 2006, a siderúrgica tinha sua inauguração prevista para março de 2009. "A agenda não pode ser cumprida para a área do alto-forno. Apesar das iniciativas em andamento para acelerar as obras, os planos para começar a produção agora são esperados para ocorrerem no final de 2009", informa a empresa em seu relatório trimestral.

RESULTADOS

A ThyssenKrupp anunciou ontem queda de 21,4% no lucro líquido do terceiro trimestre fiscal, mas elevou sua perspectiva para 2008.

O lucro no trimestre encerrado em 30 de junho foi de 573 milhões (US$ 853 milhões). Analistas esperavam lucro de 571 milhões.

O lucro antes de juros, impostos, depreciações, amortizações (Ebtida, na sigla em inglês) caiu para 909 milhões (US$ 1,35 bilhão), contra 1,22 bilhão um ano antes e expectativa de 834 milhões.

A empresa elevou a projeção para o ano fiscal 2008, que termina em 30 de setembro deste ano, e espera agora um Ebtida de mais de 3,2 bilhões (US$ 4,76 bilhões). A estimativa anterior era de 3 bilhões.

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