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Texto #145;vago #146; ameaça decisão do G-20

Não que tenha sido um sucesso retumbante, mas as expectativas para a cúpula do G-20 em Washington eram tão baixas que não foi difícil superá-las. No sábado, por exemplo, a cúpula nem foi noticiada na primeira página do The New York Times.

Agência Estado |

"Mas eles acharam espaço para por na primeira página uma matéria sobre a dificuldade de abrir embalagens de brinquedos", ironizou Simon Johnson, professor do Massachusetts Institute of Technology e ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), em seu blog.

Abandonadas as pretensões de o G-20 se transformar no novo comitê para salvar o mundo, os resultados da cúpula foram considerados positivos por vários observadores. "Houve mais consenso e mais recomendações detalhadas do que esperávamos", disse Arvind Subramanian, pesquisador do Instituto Peterson de Economia Internacional. Mas há uma armadilha: apesar de terem sido incluídos muitos tópicos considerados necessários, a linguagem do documento é vaga o suficiente para dar aos países espaço de manobra para fugir dos comprometimentos.

Um dos pontos positivos é que o jogo de recriminações pela crise não transpareceu no comunicado e o espírito geral é de cooperação, diz Subramanian. O primeiro-ministro Gordon Brown, do Reino Unido, conseguiu algumas vitórias - a recomendação de seu colegiado para supervisionar os maiores bancos transnacionais, a reativação de Doha (também defendida pelo Brasil), e os estímulos fiscais de emergência. Mas todas as medidas apareceram com bem menos força. Mesmo assim, Brown comemorou, confiando que as recomendações vagas se transformarão em políticas definidas até 31 de março do ano que vem, prazo estabelecido pelo G-20. "Trata-se do caminho para um novo Bretton Woods", disse Brown.

Em vários pontos, porém, o documento ficou aquém do esperado. "Esperávamos uma recomendação mais agressiva de estímulo fiscal de curto prazo em diversos países", disse Subramanian. Mas alemães, americanos e franceses, que se opunham à idéia defendida por Gordon Brown, conseguiram diluir a linguagem no documento final. Subramanian também esperava mais definições sobre a reforma do poder dentro das instituições multilaterais.

Também quase não houve menção aos desequilíbrios globais, que estão na base da crise - afinal, foi o excesso de poupança de emergentes que levou aos juros baixos mundias, os quais, por sua vez, foram combustível da bolha de crédito que explodiu.

A agenda de regulamentação é detalhada, mas ainda há espaço suficiente para que os países não ajam, se quiserem. "Não ficou bem definido o que cada país deve fazer em termos de regulamentação doméstica e o que será preciso coordenar entre vários países."

Tudo indica que os emergentes estão ganhando mais poder na cena político-econômica mundial, dado o lugar de destaque que eles tiveram na cúpula e algumas das recomendações adotadas, como expansão do Fórum de Estabilidade Financeira e reforma de instituições multilaterais. Mas essa mudança no equilíbrio mundial para refletir a maior força econômica de países como China, Índia e Brasil só vai se confirmar com o tempo. "Uma boa maneira de saber se os emergentes ganharam mesmo mais força é ver quantas reuniões do G-7 serão realizadas daqui para frente - quanto menos reuniões, maior o poder dos emergentes", diz Subramanian.

Simon Johnson escreveu sobre o perigo de um aperto nas regulamentações neste momento. O documento orienta ministros a implementarem até 31 de março endurecimento de regras para fundos hedge, contabilidade, reserva de capitais, agências de classificação de risco.

"Não há nada de errado com regulamentação mais eficiente, ela vai evitar que tenhamos uma crise financeira global no futuro. Mas endurecer regras bem no meio de uma crise é uma boa maneira de fazer com que o crédito fique ainda mais escasso", escreveu Johnson. Segundo ele, essas medidas deveriam ser adotadas mais para frente, enquanto questões como estímulo fiscal e recursos para o FMI deveriam ser implementadas com maior urgência.

Algumas recomendações podem ficar no papel. A promessa de passar um ano sem criar nenhuma barreira ao comércio parece um pouco audaciosa - o Congresso democrata e o novo presidente dos EUA, Barack Obama, certamente não assinaram embaixo.

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