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Teto salarial imposto por Obama preocupa Wall Street, diz especialista

Wall Street recebeu com preocupação o teto salarial imposto nesta quarta-feira pelo presidente Barack Obama aos dirigentes dos bancos que receberam ajuda do governo federal, temendo um êxodo de bons executivos da bolsa mais importante do mundo.

AFP |

Estas instituições terão agora que limitar os salários anuais a US$ 500.000 dólares o que representa "uma redução salarial enorme" para muitos presidentes de bancos, alertou Don Lindner, da associação especializada em recursos humanos WorldatWork.

"Esta soma é muito fraca. Pouquíssimos dirigentes ganham tão pouco", acrescentou Lindner, entrevistado pela AFP.

Em seu comunicado, o Tesouro ressaltou que este teto salarial se aplicará apenas aos bancos que se beneficiaram de uma ajuda "excepcional".

Contudo, o New York Times lembrou que os presidentes de Citigroup e Bank of America, citados pelo Tesouro como exemplos de bancos que receberam ajuda do governo federal, ganharam em 2007 US$ 3 milhões e US$ 20 milhões de dólares, respectivamente.

"O governo federal está certo em querer proteger seu investimento", admitiu Lindner. "Porém, uma restrição excessiva pode provocar a saída dos talentos dos quais os bancos precisam para se recuperar da crise e reembolsar o próprio governo", advertiu.

O Tesouro explicou que estas medidas têm como objetivo garantir que os fundos públicos são utilizados "em prol do interesse público, não para benefícios particulares inadequados". As autoridades pretendem desta forma "encontrar o ponto de equilíbrio entre as necessidades de vigiar a remuneração dos dirigentes e de atrair bons executivos".

As novas restrições vêm reforçar os primeiros limites impostos pelo plano de resgate de 700 bilhões de dólares aprovado pelo governo de George W. Bush para evitar a implosão do setor financeiro. As indenizações milionárias concedidas aos presidentes de empresas demissionários foram, então, proibidas.

Estas medidas são destinadas a responder à ira crescente da opinião pública americana, que denuncia o custo de vida milionário dos altos executivos das empresas Wall Street neste período de crise econômica.

Na semana passada, o presidente Obama se insurgiu contra o pagamento pelo banco de negócios Merrill Lynch de quatro bilhões de dólares em bônus a seus altos funcionários, apesar das gigantescas perdas que obrigaram a instituição a aceitar sua absorção pelo Bank of America.

Terça-feira, o banco californiano Wells Fargo, recentemente recapitalizado por 25 bilhões de dólares, foi obrigado a cancelar uma luxuosa viagem a Las Vegas para seus altos funcionários depois de a notícia ter vazado na imprensa. Alguns dias antes, o Citigroup tivera de desistir de receber um novo jato particular.

"É uma decisão política lógica" da administração, admitiram os analistas de Morgan Keegan. "Não se pode estabelecer uma parceria sem esperar que o parceiro participe do processo de decisão", acrescentaram.

"É uma compensação pelos vários anos em que estas empresas que estavam indo direto à falência pagaram salários milionários a seus dirigentes", analisou Mace Blicksilver, diretor do fundo de gestão de ativos Marblehead Asset Managment.

No entanto, "se um 'trader' tem como opções ir para um banco sustentado pelo Estado ou um banco menor, para onde irá? Isso poderá levar estas empresas a se estabelecerem em outros países, onde serão menos reguladas", advertiu.

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