Washington, 30 jan (EFE).- O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos ainda precisa de transparência em sua gestão do plano de resgate de Wall Street avaliado em US$ 700 bilhões, informou hoje o Escritório de Contabilidade do Governo americano (GAO, em inglês).

O relatório, de 112 páginas e disponível no "www.gao.gov", indica que, embora o Departamento do Tesouro tenha tomado medidas para melhorar a gestão do plano de resgate aprovado pelo Congresso em outubro, ainda enfrenta grandes demoras e precisa de um bom mecanismo de prestação de contas.

"A falta de uma visão claramente explicada complicou a capacidade do Tesouro de comunicar de forma eficaz ao Congresso, aos mercados financeiros e ao público sobre as vantagens do plano de resgate e limitou sua capacidade para identificar as necessidades de pessoal", adverte o GAO em seu relatório, o segundo sobre o tema.

A análise, realizada a pedido do Congresso, elogia, no entanto, as medidas tomadas pelo Departamento do Tesouro para vigiar, por exemplo, o uso que os bancos e instituições financeiras estão tendo aos fundos do Governo, e seu cumprimento dos requisitos do plano.

O Departamento do Tesouro iniciou uma revisão mensal das 20 maiores instituições dos Estados Unidos incluídas no plano de resgate e, além disso, começou a elaborar relatórios trimestrais para todas as entidades envolvidas.

"Embora a revisão mensal seja um passo em direção a uma maior transparência e prestação de contas para as grandes instituições, continuamos achando que são necessárias medidas adicionais para assegurar que todas as instituições participantes prestem contas do uso dos fundos do programa", diz o GAO.

O Escritório afirma que resta muito a fazer, incluindo a elaboração de uma "estratégia integral" de manipulação dos recursos e de uma explicação detalhada sobre como funcionam os componentes do plano de resgate e o uso do dinheiro que sobrou.

Todos estes problemas são um empecilho para responder eficazmente à crise dos mercados financeiros, o que, por sua vez, afetou a confiança pública no plano de resgate, considera o GAO.

O relatório, apresentado hoje ao Congresso, indica que a injeção direta de US$ 250 bilhões em capitais ao sistema bancário caminha de forma muito lenta devido às regulações em vigor.

O documento afirma que, até 23 de janeiro, o Tesouro tinha desembolsado US$ 293,7 bilhões, do total de US$ 700 bilhões do plano de resgate.

A maioria dos fundos (US$ 194,2 bilhões) foi destinada à compra de ações de 317 instituições financeiras sob o Programa de Compra de Capitais (CPJ, em inglês), que é o principal veículo do Executivo para estabilizar os mercados. EFE mp/db

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