Com fim das altas, Selic tende a cair para ficar próxima da TJLP, prevê Arno Augustin, secretário do Tesouro Nacional

O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, prevê que, em algum tempo, a taxa Selic, que dita o juro básico no curto prazo, e a TJLP, a Taxa de Juros de Longo Prazo, usada principalmente nos créditos do BNDES, deverão convergir. Com a decisão do Copom desta quarta-feira , a Selic permaneceu em 10,75% ao ano. Enquanto isso, a TJLP tem taxa de 6% ao ano.

Segundo Augustin, que é responsável pela administração do caixa da União, “a política de longo prazo é de convergência dessas taxas, o que vai permitir que o investimento em longo prazo seja mais normal no País.” Essa diferença cria, naturalmente, um desestímulo aos investimentos de longo prazo.

O Brasil é um dos poucos lugares do mundo em que a taxa de curto prazo é mais alta que a de longo. Na teoria econômica, é natural que a taxa de longo prazo seja superior, já que ela embute um risco maior de imprevisibilidade no tempo. Nos EUA, a taxa de dez anos atualmente está próxima de 2,5% ao ano, enquanto a de curto prazo é muito menor, abaixo de 0,2% ao ano.

Segundo Augustin, essa política de convergência das taxas não começa agora. Ele destaca que, ao longo da crise econômica do fim de 2008, a TJLP foi reduzida em apenas 0,25 ponto percentual. “Não caiu mais porque entende-se que ela tem de convergir”, destacou.

Convergência tem condicionantes

A convergência das taxas, porém, depende de um arranjo econômico e institucional que envolve, pelo menos, o Banco Central, que determina a Selic, e o Conselho Monetário Nacional (CMN), composto pelo ministros da Fazenda e do Planejamento e de dirigentes do próprio BC.

Após a crise de 2009, o Tesouro Nacional injetou recursos no BNDES para estimular os investimentos de longo prazo, principalmente em indústrias de bens de capital, como medida para combater a crise. “Criamos condições para que os bens de capital no Brasil possam se desenvolver de forma rápida”, diz Augustin.

Ele reconhece, porém, que os estímulos feitos podem pressionar o aumento dos preços no curtíssimo prazo, conforme apontado por analistas de mercado. Porém, para Augustin, no longo prazo esses investimentos na indústria pesada acabam elevando a oferta de produtos e serviços na economia, aliviando as pressões inflacionárias.

“Sabemos que, no curto prazo, há um estímulo de demanda com essa política, mas pensamos nos próximos anos, com bom crescimento e equação fiscal mais sustentável.” Com menos pressões inflacionárias futuras, o secretário espera uma redução da Selic a um nível mais próximo da TJLP, o que também aliviaria os custos de rolagem da dívida pública. “Um ponto de Selic custa R$ 10 bilhões por ano no orçamento, como custo da dívida”, completa.

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