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Tesouro injeta US$ 40 bi no banco central dos EUA

O Tesouro americano injetou US$ 40 bilhões no Federal Reserve para que o banco central dos EUA consiga resgatar as instituições financeiras que quebraram nos últimos dias e outras que terão problemas em breve. Havia a percepção de que a munição do Fed estava no fim - nos últimos seis meses, o banco emprestou US$ 29 bilhões para o JPMorgan comprar o Bear Stearns, liberou crédito a bancos de investimentos em dificuldades, interveio nas gigantes Fannie Mae e Freddie Mac e na terça-feira se dispôs a emprestar US$ 85 bilhões à AIG, maior seguradora do país.

Agência Estado |

Vários economistas acham que o balanço do Fed está sobrecarregado e é necessário criar uma agência governamental separada, para limpar a bagunça da crise de crédito.

Em tese, o Fed não pode quebrar, basta imprimir dinheiro. Mas a perspectiva de o governo se ver obrigado a imprimir dinheiro, gerando inflação, afeta o valor do dólar e dos títulos do Tesouro. Muitos economistas acham que o governo precisa criar uma agência para cuidar da crise de crédito, nos moldes da Resolution Trust Corp, usada para comprar ativos podres de instituições de crédito que quebraram na crise dos "Savings and Loan" dos anos 80 e 90.

Há um ano, o Fed tinha quase US$ 800 bilhões em títulos do Tesouro americano. Na semana passada, o montante tinha encolhido para pouco menos de US$ 480 bilhões. Se emprestar os US$ 200 bilhões previstos nas linhas de crédito para bancos de investimento em dificuldades, além dos US$ 85 bilhões para a AIG, ficará com menos de US$ 200 bilhões em caixa.

Vitória Saddi, economista-chefe para a América Latina do RGE Monitor, acha que o empréstimo do Tesouro ao Fed é uma prova de que o banco central está sobrecarregado. Além disso, a ação do Tesouro pode apertar o crédito no curto prazo. Para capitalizar o Fed, o Tesouro vendeu US$ 40 bilhões em notas. Ao vender títulos, o Tesouro tira dinheiro de circulação - o que eleva a taxa de juros - efeito muito negativo no momento em que a economia está na corda bamba e o crédito já está bem apertado.

Ted Truman, ex-subsecretário do Tesouro para assuntos internacionais, não vê tanto problema no fato de o Tesouro emprestar ao Fed - "é tudo dinheiro do governo". Mas Truman aponta que o mandato do Fed está se ampliando demais: o banco não apenas está focado em inflação e crescimento, mas também na estabilidade do sistema financeiro. "Mas, se o Fed não fizer isso, quem fará?", pergunta Truman, que é pesquisador do Peterson Institute for International Economics.

E é aí que entraria uma nova versão da Resolution Trust Corp, diz ele, para comprar os ativos tóxicos e limpar o sistema. Entre 1989 e 1995, a RTC fechou ou resolveu o problema de 747 instituições de crédito imobiliário, com ativos totais de US$ 394 bilhões. Em artigo no The Wall Street Journal, Nicholas Brady, ex-secretário do Tesouro que idealizou o plano Brady (que reestruturou a dívida externa de vários países emergentes, inclusive do Brasil) e Paul Volcker, ex-presidente do Banco Central, apóiam a volta da Resolution Trust Corp. Eles argumentam que nem os mercados, nem regulamentações ou atuações do Fed e do Tesouro serão suficientes para resolver a atual crise de crédito. "O sistema está entupido com quantidades enormes de títulos imobiliários tóxicos que não vão ser honrados", dizem.

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