Contra as estatísticas não dá para brigar. Dessa forma, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, avaliou hoje a contribuição da evolução das despesas do governo federal no primeiro semestre deste ano para o esforço de combate à inflação.

"As despesas têm ajudado a (combater a) inflação", destacou ele, ao apresentar o resultado das contas do governo federal, que mostram que as despesas cresceram num ritmo bem menor do que as receitas. Em relação ao crescimento nominal do Produto Interno Bruto (PIB), as despesas apresentaram no primeiro semestre uma queda de 2,7%.

Segundo Augustin, "aqueles que fazem uma análise isenta da economia" constatarão essa contribuição positiva da redução das despesas para o equilíbrio da demanda agregada. O secretário previu que as despesas manterão até o final do ano uma contribuição "contracionista" (de redução) da demanda. "A política adequada foi exatamente a que foi feita - de manutenção dos investimentos e redução das despesas", disse ele.

Na avaliação do secretário, a melhora do perfil das despesas do governo reflete um esforço de redução dos gastos de custeio (administrativos, de manutenção da máquina pública) - tendência que, segundo ele, vai se manter. As despesas de custeio tiveram uma queda de 4,2% em relação ao crescimento do PIB nominal. Por outro lado, destacou o secretário, as despesas com investimento (capital) aumentaram 19,2% na mesma comparação. "O que é importante é a mudança de perfil das despesas", enfatizou. Augustin destacou também o fato de que as despesas com pessoal apresentaram, no primeiro semestre, uma queda significativa - de 4,5% -, em comparação com o crescimento do PIB.

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