A tensão externa empurrou o investidor hoje para longe dos ativos de risco, diante de um temor crescente com a situação econômica na Europa e dos dados decepcionantes do índice de confiança do consumidor nos Estados Unidos. Com isso, no mercado doméstico, o dólar completou a segunda sessão consecutiva de alta ante o real.

Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar à vista fechou a R$ 1,8272, com alta de 1%. No mercado interbancário de câmbio, o dólar comercial subiu 0,94% para R$ 1,826, após oscilar entre a máxima de R$ 1,829 e a mínima de R$ 1,815. Nesses dois dias, a moeda acumula valorização de 1,16%. No mês, o dólar comercial tem queda de 3,13% e no ano, alta de 4,76%. O euro comercial subiu 0,37% no dia para R$ 2,468; no mês, acumula queda de 5,69% e no ano, baixa de 1,24%.

"Tudo o que as pessoas querem neste momento são dólares", resumiu Stuart Bennett, estrategista de moedas do Crédit Agricole à agência Dow Jones. Isso porque novas preocupações vieram da zona do euro e a situação da Grécia permanece delicada. Em entrevista ao jornal italiano La Repubblica, um dirigente do FMI previu que a redução do déficit orçamentário na Europa será "extremamente dolorosa" e vai demorar até 20 anos.

A afirmação foi feita ao jornal pelo economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Olivier Blanchard. "O ajuste é mais fácil para países que podem desvalorizar sua moeda. Nos países que não têm essa opção, é legítimo dizer que a redução será extremamente dolorosa", disse Blanchard. No curto prazo, alertou, os países terão taxas de crescimento baixas e "sacrifícios sobre salários serão inevitáveis, com o objetivo de recuperar a competitividade". Blanchard afirmou que os governos da Europa e dos EUA terão de impor cortes nos gastos e aumentos de impostos para colocar as finanças públicas de volta nos eixos, após a crise econômica global.

Nas contas externas do Brasil, o Banco Central informou hoje que o mês de janeiro terminou com déficit em transações correntes de US$ 3,841 bilhões. Já o Investimento Estrangeiro Direto (IED) direcionado ao País apresentou no mês passado o pior janeiro em quase 15 anos. Dados divulgados pelo Banco Central mostram que o IED do mês passado somou US$ 789 milhões. Na comparação com o resultado de janeiro de 2009, o resultado obtido no mês passado foi 59,1% menor.

O chefe-adjunto do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel, explicou que parte do fraco volume observado em janeiro de 2010 pode ter refletido a decisão de algumas empresas de antecipar a remessa de investimento produtivo ao Brasil nos últimos dias de dezembro de 2009, o que esvaziou o volume de transferências no primeiro mês de 2010.

Além disso, a autoridade monetária divulgou que o fluxo cambial de fevereiro acumula saída líquida de US$ 269 milhões até o dia 19. O BC manteve a prática de adquirir moedas no mercado à vista e realizou leilão até 14h42, fixando a taxa de corte das propostas em R$ 1,828.

Câmbio turismo

No segmento de câmbio turismo (compra e venda de moeda destinada a viagens internacionais), o dólar subiu 0,53% hoje e foi cotado a R$ 1,913 (venda) e R$ 1,74 (compra), em média. O euro turismo avançou 1,17%, cotado em média a R$ 2,597 (venda) e R$ 2,383 (compra).

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