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Tensão crescente com Irã alimenta dúvida de setor petrolífero

Por Tom Bergin e Hashem Kalantari LONDRES/ASSALOUYEH, Irã (Reuters) - A crescente tensão entre o Irã e potências ocidentais fez com que as empresas petrolíferas se tornassem mais relutantes em investir nos campos de gás e petróleo daquele país, apesar de ainda haver negociações a esse respeito.

Reuters |

Enquanto a República Islâmica testava na quinta-feira uma segunda bateria de mísseis, a Total, da França, repetia que, assim como alguns de seus concorrentes, não gastará mais dinheiro no território iraniano neste momento.

'Provavelmente, precisamos ver as coisas melhorarem, ver o Irã tendo novamente relações com seus vizinhos e com o restante dos países que hoje mantêm um postura crítica quanto a ele', disse o diretor-executivo da Total, Christophe de Margerie, à TV France 24.

Margerie afirmou que o projeto South Pars Phase 11 encontrava-se interrompido, mas observou estar 'fora de questão' abandonar o projeto multibilionário que envolve o resfriamento de gás natural para liquefazê-lo e transportá-lo.

O governo iraniano respondeu estar pronto para explorar o gigantesco campo de South Pars sem a Total.

Junto com a italiana Eni e a Royal Dutch Shell, a empresa francesa já investiu bilhões de dólares no setor de combustíveis do Irã, desafiando a ameaça de receber sanções dos EUA.

O governo norte-americano, que proíbe as empresas de seu país de fazer negócio no setor energético do Irã, lidera o bloco internacional que critica o programa nuclear iraniano e impõe sanções ao Irã.

Segundo os EUA, o Irã tenta desenvolver armas atômicas. O governo iraniano afirma que seu programa é totalmente pacífico.

PROGRESSO LENTO

O discurso ajudou a desacelerar os processos de criação de parceria para explorar as reservas iranianas.

Paolo Scaroni, diretor-executivo da Eni, disse que honrará os contratos existentes, mas que não assinará outros. A norueguesa StatoilHydro adotou uma postura semelhante.

E Margerie, rejeitando as pressões do Irã para que um acordo sobre a South Pars 11 seja assinado até a metade do ano, já havia dito em maio que algo do tipo seria improvável de ocorrer no curto prazo.

Em uma entrevista concedida ao The Financial Times e publicada na quinta-feira, ele acrescentou: 'Hoje seria um risco político grande demais investir no Irã'.

Em setembro, o governo francês pediu que a Total não colocasse mais dinheiro no país islâmico.

A empresa produz 15 mil barris de petróleo por dia no Irã, mas o contrato envolvendo essa atividade deve deixar de vigorar em breve, afirmou uma porta-voz.

A Shell disse que se afastará da South Pars Phase 13, mas que não abandonaria o Irã de vez. Seu parceiro de joint venture Repsol afirmou que ainda precisa tomar uma decisão a esse respeito.

'Há muitos depósitos no Irã e seria uma bobagem adotarmos uma decisão precipitada', disse um porta-voz da Repsol.

Qualquer hesitação pode abrir espaço para empresas da Rússia e da Ásia, que possuem agendas políticas diferentes, mas interesses comerciais semelhantes.

(Reportagem adicional de Jon Boyle e Daniel Fineren em Londres e Gilles Castonguay em Milão)

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