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Tensão aumenta na OMC, onde discussões entram na etapa final

A tensão aumentou nesta segunda-feira na Organização Mundial do Comércio (OMC), onde Estados Unidos, Índia e China se acusaram mutuamente de bloquear a conclusão de um acordo, num momento em que os negociadores iniciavam uma segunda semana de discussões sobre a liberalização do comércio mundial.

AFP |

"O maior problema é manter o sangue-frio", declarou o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, na abertura de uma reunião das sete maiores potências comerciais do planeta (Estados Unidos, União Européia, Brasil, Índia, Japão, Austrália e China).

Apesar das advertências do diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, de que "a hora está passando e chegou a hora de mostrar flexibilidade", as sete potências não conseguiram amenizar suas divergências para finalizar sete anos de negociações sobre a liberalização do comércio.

"Estamos muito preocupados com a orientação que tomaram dois países", acusou a representante americana para o Comércio, Susan Schwab.

"Estávamos sexta-feira no caminho de uma conclusão frutífera da rodada de Doha, e estamos agora numa situação em que um dos países voltou atrás nos compromissos que assumiu", criticou.

Um pacote de propostas sobre a agricultura e os produtos industralizados apresentado sexta-feira por Lamy foi aprovado pela maioria das grandes potências comerciais. Entretanto, a Índia não concordou com o texto, assim como vários países emergentes preocupados com suas indústrias ou seus agricultores.

A China aderiu sábado à posição da Índia. Pequim avisou que pretende proteger sua produção de arroz, de algodão e de açúcar, produtos sobre os quais se recusa a reduzir suas tarifas aduaneiras.

"Não estamos bloqueando as negociações", afirmou o ministro indiano do Comércio, Kamal Nath, criticando os Estados Unidos, que segundo ele "querem multiplicar por dois os subsídios concedidos atualmente". "O que os americanos falam é: queremos ter o direito de dobrar nossos subsídios, mas não vamos triplicá-los. O que vocês dão em troca?", denunciou.

No fim da tarde desta segunda-feira, Nath se disse "ainda otimista" sobre a conclusão das nefgociações, lamentando a falta de avanços em setores como o algodão, os subsídios que prejudicam a liberalização do comércio e a cláusula de salvaguarda.

Pequim, por sua vez, se insurgiu contra os ataques americanos. O embaixador chinês na OMC, Sun Zhenyu, criticou o fato de Washington não ter assumido "o compromisso de reduzir de forma significativa os subsídios sobre o algodão".

Estes subsídios "afetaram drasticamente os produtores de algodão nos países emergentes", denunciou.

"Consideramos que os Estados Unidos não podem discutir com os países emergentes sobre as tarifas impostas ao algodão enquanto não eliminam os subsídios", disse o embaixador chinês.

A França, que exerce atualmente a presidência da União Européia (UE), informou que não assinará o atual projeto da OMC, evocando "a defesa de nossos interesses industriais europeus frente aos países emergentes".

Em Roma, o chefe do governo italiano, Silvio Berlusconi, confirmou "a preocupação da Itália com a ausência de progressos sobre a questão das menções geográficas dos produtos assim como sobre a o aceso aos mercados industriais dos países emergentes".

bur/yw

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