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SÃO PAULO - A melhora da produção industrial na margem - houve alta de 2,3% em janeiro, comparado com dezembro - não foi suficiente para inverter a trajetória de queda do indicador em períodos mais longos. Na comparação com janeiro de 2008, houve recuo de 17,2% na atividade fabril, o maior desde os 27,7% registrados em abril de 1990, quando o país vivia a ressaca do Plano Collor, ante mesmo mês de um ano antes.

De acordo com Silvio Sales, coordenador de indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o indicador da média móvel trimestral aponta melhor a tendência da produção industrial. No trimestre encerrado em janeiro, a queda média da média móvel foi de 6,2%, contra recuo de 6,9% no trimestre encerrado em dezembro.

Neste indicador, as categorias de uso apresentaram resultado negativo. Os Bens de Consumo Duráveis recuaram 11,5%, os Bens de Capital perderam 7,4%, os Bens Intermediários caíram 5,4%. Os bens de capital cederam 7,4% e os Bens de Consumo Semi e Não Duráveis tiveram baixa de 1,8% no trimestre encerrado em janeiro.

" A tendência da produção continua negativa, em que pese a produção ter ficado positiva na comparação janeiro ante dezembro " , explicou Sales. " O ciclo de ajuste de estoques continua em curso e as indústrias tentam encontrar um novo patamar de produção que atenda à demanda projetada " , acrescentou.

O resultado da produção na comparação de janeiro com igual mês de 2008 mostra alta apenas em um dos 27 ramos investigados pelo IBGE - Outros equipamentos de transporte apresentaram expansão de 39,2%. De acordo com Sales, o ganho decorreu principalmente da necessidade de cumprimento de contratos pré-assinados no setor de aviões.

Nos outros 26 ramos, as reduções foram expressivas, como em Automóveis e Autopeças, que tiveram o maior impacto na retração do setor industrial e registrou queda em 100% da amostra analisada. O segundo maior peso de baixa coube a Outros Produtos Químicos (-29,2%) e difusão de queda em 77% da amostra. O maior tombo individual foi de Material Eletrônico e de Comunicações, com declínio de 45,9% e difusão de 67%, representando o quinto maior peso na baixa de 17,2% da indústria.

O resultado de janeiro também serviu para aprofundar as quedas verificadas desde setembro, quando a crise mundial se intensificou. Nos quatro últimos meses, a produção da indústria caiu 18,2% em relação ao patamar de setembro, em um movimento puxado pelo setor de Bens Duráveis, que diminuiu 29,7% na mesma comparação. Já os Bens de Capital baixaram 20,4%, enquanto os Bens Intermediários tiveram queda de 17,8% e os Bens de Consumo Não Duráveis cederam 7,6%.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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