RIO DE JANEIRO - Os recursos do pré-sal poderão ajudar a saúde brasileira, que ainda carece de investimentos suficientes para melhorar as condições de vida da população brasileira, disse nesta sexta-feira o ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Segundo o ministro, o orçamento do Ministério em 2008, de R$ 50 bilhões, é insuficiente para atender os direitos constitucionais da população previstas na constituição, e para eliminar o passivo nacional na área de saúde.

"Esses recursos( do pré-sal), se destinados prioritariamente à educação e saúde, com certeza vão ter uma utilização bastante adequeda", disse Temporão a jornalistas em evento na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro.

'Evidentemente que estou torcendo para que a saúde seja contemplada pelos recursos do pré-sal', acrescentou, ressaltando que o orçamento do ministério deveria ser no mínimo 50 por cento maior ao longo dos próximos quatro anos.

Na semana passada, no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que parte dos recursos arrecadados com a exploração do pré-sal fosse destinada à area social, entre elas educação e saúde.

No Ceará, na quarta-feira, Lula destacou que o pré-sal vai erradicar a miséria do país.

'O presidente Lula é extremamente sensível com as questões sociais. O Governo dele vem colocando de fato as questões sociais como prioridade absoluta. Tenho certeza que sim (ele vai usar o pré-sal como uma fonte de recursos para a saúde)'.

Temporão disse que considera precoce definir como poderia ser feita uma eventual destinação de verbas do petróleo que será extraído da camada pré-sal, uma faixa que se estende por 800 quilômetros do Espírito Santo a Santa Catarina e que pode conter bilhões de petróleo leve, de alta qualidade.

'O pré-sal ainda vai levar anos para se transformar em recursos. Vai levar um pouco de tempo. É uma realidade em termos de descoberta', declarou, destacando que a pasta precisa de medidas urgentes para responder as demandas da população.

Loucura

O presidente da Firjan, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, defendeu a manutenção das regras do mercado de petróleo do Brasil, e considera que o aumento do royaltie e da Participação Especial (PE) já seriam suficientes para atender o desejo do governo de aumentar a arrecadação com petróleo.

O debate sobre a criação de uma nova estatal para gerenciar as áreas do pré-sal foi classificado como 'loucura' pelo presidente da Firjan, ex-acionista do Grupo Ipiranga.

'É um retrocesso, é um loucura. Trata-se de um debate do século dezenove que não tem nada a ver com o Brasil moderno', afirmou a jornalistas.

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