SÃO PAULO - O temor quanto a uma possível recessão na economia americana e global voltou com toda a força ontem a Wall Street. Dados econômicos que reforçam essa perspectiva negativa foram mal-recebidos pelos investidores e os principais indicadores das bolsas despencaram.

O Dow Jones Industrial fechou em queda de 7,9%, aos 8.577,91 pontos. Foi uma perda de 733,08 pontos, a segunda maior da história. O S & P 500 somou 907,84 pontos, com baixa de 9%. O Nasdaq Composite declinou 8,5%, para 1.628,33 pontos.

O governo dos EUA anunciou que as vendas no varejo do país diminuíram 1,2% em setembro no confronto com um mês antes e recuaram 1% perante o nono mês de 2007. A notícia foi interpretada como um sinal de recessão, ainda mais grave porque o consumo representa mais de 60% do PIB americano.

As ações de varejistas, tradicionais e online, sofreram no pregão de hoje. Wal-Mart perdeu 8%, Amazon.com recuou 12,8% e a eBay despencou 13,6%.

A queda da cotação do petróleo para menos de US$ 75 o barril derrubou as ações de companhias do setor. Exxon Mobil e Chevron recuaram 13,9% e 12,5%, na ordem.

Os bancos também perderam, depois de a analista Meredith Whitney, da Oppenheimer & Co, emitir relatório no qual diz que as injeções de recursos do governo americano nos bancos são "um grande passo na direção certa", mas não uma solução mágica para a crise.

Conhecida por ter previsto corretamente as dificuldades enfrentadas pelo Citigroup, Meredith afirmou ainda que a estabilização dos fundamentos do mercado ainda demorará alguns trimestres, durante os quais os bancos poderão ter dificuldades na geração de receitas. Citigroup perdeu 12,8% e Bank of America caiu 10,2%, por exemplo.

Na Europa, a jornada foi marcada por desvalorização em meio a temores renovados sobre a falta de dinamismo econômico e quedas nas ações industriais e de mineradoras. Muitos investidores mostraram-se inquietos com a perspectiva de uma recessão econômica, considerando insuficientes os esforços de governos e bancos centrais para dar liquidez no sistema financeiro e socorrer bancos.

Em Londres, o FTSE-100 diminuiu 7,16%, aos 4.079,59 pontos. O CAC-40, de Paris, apresentou decréscimo de 6,82%, aos 3.381,07 pontos. Em Frankfurt, o DAX encolheu 6,49%, ficando em 4.861,63 pontos.

(Valor Online, com agências internacionais)

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