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Temor de contágio derruba mercados

As incertezas em relação ao pacote de ajuda à Grécia e o temor de que a crise contagie outros países da Europa, como Portugal e Espanha, sacudiram o mercado financeiro ontem no mundo inteiro. As bolsas de valores despencaram, as moedas locais caíram em relação ao dólar e os títulos americanos voltaram a ter forte procura pelos investidores, num movimento típico de pânico.

AE |

As incertezas em relação ao pacote de ajuda à Grécia e o temor de que a crise contagie outros países da Europa, como Portugal e Espanha, sacudiram o mercado financeiro ontem no mundo inteiro. As bolsas de valores despencaram, as moedas locais caíram em relação ao dólar e os títulos americanos voltaram a ter forte procura pelos investidores, num movimento típico de pânico. No Brasil, o Ibovespa (principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo/BM&F) caiu 3,35%, para 64.869 pontos, no menor nível desde fevereiro. Na outra ponta, o dólar teve a maior alta porcentual dos últimos três meses, de 1,79%, cotado a R$ 1,761. "Esperava-se que o pacote colocasse uma pá de cal na desconfiança dos investidores, mas vimos o contrário. O mercado voltou a ficar incomodado com a Grécia", disse o economista-chefe da Modal Asset, Alexandre Póvoa. Resultado disso foi uma debandada geral dos investidores dos ativos de risco para ativos considerados mais seguros, como o dólar, ouro e títulos americanos. Na Europa, a aversão ao risco fez a Bolsa de Paris recuar 3,64%; Madri, 5,41%; Frankfurt, 2,60; Londres, 2,56; Milão, 4,46%; e Lisboa, 4,21%. O euro caiu abaixo de US$ 1,30 e atingiu o nível mais baixo em um ano. A maior dúvida dos investidores refere-se ao alcance do pacote de ajuda à Grécia, de 110 bilhões, anunciado domingo pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pela União Europeia (UE). O economista da Opus Investimentos, José Márcio Camargo, explica que o ajuste fiscal pedido aos gregos é muito forte e não há certeza de que o país vá conseguir cumprir as metas estabelecidas. Além disso, completa ele, há uma grande preocupação de que a crise se alastre por outras economias da Europa, também com problemas fiscais. No topo da lista, estão Espanha e Portugal, que terão de se endividar ainda mais para ajudar os gregos. "Eles terão de pegar dinheiro no mercado a uma taxa mais alta para ajudar à Grécia. É como se estivessem aumentando o seu déficit." O próximo. Diante de tanta desconfiança, o mercado começa a olhar quem será o próximo, como ocorreu nos Estados Unidos, com a crise financeira, lembra Póvoa, da Modal Asset. Um teste deve ocorrer ainda este mês, com vencimentos de Portugal e Espanha. Segundo o Barclays, em maio vencem 5,6 bilhões em bônus e 1,3 bilhão em títulos do governo de Portugal. Em julho, será a vez da Espanha, que tem 17,7 bilhões em bônus e 7,6 bilhões em títulos. Não bastassem todas essas dúvidas, os investidores tiveram ontem outra notícia indigesta: o arrefecimento das atividades da China, resultado dos apertos de liquidez promovidos nos últimos meses pelo governo do país. A medida pode reduzir o consumo, especialmente de commodities, o que afeta diretamente o Brasil. A notícia, aliada ao mau humor do mercado por causa da Grécia, derrubaram os papéis da Vale, uma das principais fornecedoras de minério da China. As ações ordinárias da empresa recuaram 3,84% e as preferenciais, 4,52%. O desempenho dos papéis da mineradora e da Petrobrás, que foi rebaixada pelo JP Morgan e pelo UBS por causa do processo de capitalização, contribuíram para o resultado negativo da Bovespa, ontem.

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