Telexfree faz sucesso e coloca Portugal em alerta

Por Vitor Sorano - iG São Paulo | - Atualizada às

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Na Ilha da Madeira, 16% da população já aderiu, segundo TV pública; entidade de defesa do consumidor desaconselha investir no negócio, acusado no Brasil de ser pirâmide financeira

Divulgação/Botafogo/Vitor Silva/SSPress
James Merrill (d) e Carlos Wanzeler (e), ao centro, com a camisa do Botafogo: investigados no Brasil

Bloqueada no Brasil por suspeita de ser uma pirâmide financeira, e alvo de alerta na República Dominicana e no Peru, a Telexfree tem feito sucesso em Portugal. Eventos ao longo da última semana ocuparam a agenda de hotéis de luxo em Lisboa, Coimbra e Porto. Na Região Autônoma da Madeira, o negócio atraiu aproximadamente 41 mil pessoas, segundo a TV pública RTP Madeira – o que equivale a 16% da população local. 

"Já algumas pessoas conhecidas ou amigas falaram que estavam participando desse esquema", diz o integrante de uma agência do governo regional. "Até mandei para uma dessas pessoas por e-mail uma notícia de que uma juíza brasileira havia mandado bloquear [as atividades]."

A popularidade, conquistada com a promessa de lucros expressivos, chamou a atenção também de autoridades. Segundo o iG apurou, a Polícia Judiciária da Madeira começou a reunião documentos sobre a Telexfree. A eventual abertura de um inquérito, entretanto, só ocorrerá quando houver queixas de lesados pelo negócio.

A Associação Portuguesa de Defesa do Consumidor (Deco Proteste) emitiu uma nota de alerta sobre as atividades da empresa, em novembro. No texto, a entidade orienta os consumidores a se manterem afastados do negócio, uma vez que “a probabilidade de perder a totalidade do capital investido é elevada”.

Para Carolina Gouveia, jurista da Deco Proteste, a Telexfree tem as características de uma pirâmide financeira.

“A lei portuguesa também classifica esse tipo de negócio como práticas comerciais ilegais, porque o que está em causa é um serviço que é proposto ao consumidor, mas o consumidor acaba por se tornar um colaborador da própria empresa, na medida que tem de promover a empresa”, afirma, em entrevista ao iG. “De fato, são práticas que não são permitidas.”

Divulgação/Telexfree
Carlos Costa, um dos diretores da Telexfree, fala ao público em cruzeiro do negócio, em dezembro de 2013

Via Estados Unidos

De acordo com uma fonte ouvida pelo iG, o dinheiro que tem chegado aos divulgadores da Madeira tem origem em diversos países, mas sobretudo, nos Estados Unidos. É lá que está estabelecida a Telexfree, INC., a sede do negócio.

A empresa é administrada pelo americano James Matthew Merrill e o brasileiro Carlos Wanzeler, que no Brasil são acusados pelo Ministério Público do Acre (MP-AC) de terem criado o que pode ser a maior pirâmide financeira da História do País. Também é réu no processo o brasileiro Carlos Roberto Costa.

A Justiça chegou a bloquear provisoriamente as atividades da Ympactus Comercial, braço brasileiro da Telexfree detido por Costa, Wanzeler e Merrill. Mas a medida, ainda em vigor, não tem impedido que residentes no Brasil continuem a se cadastrar, como o iG mostrou.

LEIA TAMBÉM: Telexfree ainda permite registros a partir do Brasil

Thaís Khalil, juiza responsável pelo processo no Acre, recentemente, solicitou dados sobre a Telexfree, INC. A promotora que atua no caso, Alessandra Marques, chegou a declarar que a Telexfree americana também é alvo de investigação nos Estados Unidos. As autoridades americanas, entretanto, não confirmam nem negam a informação.

"Investigação aqui não e mesma coisa que investigacão no Brasil", diz um divulgador da Telexfree nos Estados Unidos, sem saber que conversava com a reportagem. "Aí é coisa ruim. Aqui é coisa boa", tranquiliza.

Cadastros além-mar

Assim como divulgadores americanos,  os de Portugal também têm se oferecido para cadastrar residentes do Brasil.  Isso é possível porque o interessado não precisa informar o seu endereço verdadeiro no cadastro no site www.telexfree.com. Apenas deve fazê-lo no sistema virtual de pagamentos contratado pela Telexfree para escoar os ganhos aos divulgadores.

“Poderá colocar a sua morada [endereço], mas no [campo] país, seleciona Portugal”, orienta um divulgador de Portugal que se identifica como Filipe, sem saber que falava com a reportagem. “Muda-se depois a morada para o Brasil na E-wallet [o sistema de pagamento contratado pela Telexfree] e recebe o cartão na sua casa aí no Brasil!“

A Polícia Judiciária e a Procuradoria Geral da República de Portugal não comentaram o caso da Telexfree. A empresa não se manifestou.

Chque apreendido na sede da Telexfree em nome de Katia Wanzeler, muilher de Carlos Wanzeler, um dos donos da empresa. Foto: ReproduçãoSite da Telexfree parcialmente restabelecido, em 23 de abril de 2014; no dia 25, página havia voltado ao ar. Foto: ReproduçãoSite da Telexfree fora do ar às 17h35 de 15 de abril de 2014. Mais cedo, a Comissão de Valores Mobiliários de Massachusetts anunciou que a empersa é uma pirâmide. Foto: ReproduçãoRepresentantes do Botafogo e da Telexfree apresentam camisa do clube com anúncio da empresa, suspeita de ser pirâmide financiera. Foto: Divulgação/Botafogo/Vitor Silva/SSPress Carlos Costa, diretor de marketing da Telexfree, anuncia recuperação judicial da empresa, em 20 de setembro de 2013. Foto: ReproduçãoAudiência na Câmara dos Deputados sobre empresas suspeitas de serem pirâmides financeiras. Foto: Lucio Bernardo Júnior/Câmara dos DeputadosProcuradora Mariane de Mello, do MPF-GO, participa de programa Mais Você, da TV Globo: Telexfree processou emissora. Foto: Mais Você/TV GloboManifestante participa de protesto em favor da Telexfree próximo à Prefeitura de São Paulo, em 5 de agosto de 2013. Foto: J. Duran Machfee/Futura PressManifestante participa de protesto em favor da Telexfree na Avenida Paulista, em São Paulo, em 5 de agosto de 2013. Foto: J. Duran Machfee/Futura PressProtesto contra a decisão que bloqueou as contas da Telexfree em São Paulo, no dia 5 de agosto de 2013. Foto: J. Duran Machfee/Futura PressGrupo faz manifestação em apoio à Telexfree em frente ao Masp, em São Paulo, no dia 5 de agosto de 2013. Foto: J. Duran Machfee/Futura PressGrupo de 200 pessoas faz manifestação na Avenida Paulista em apoio à Telexfree, em 5 de agosto de 2013. Foto: J. Duran Machfee/Futura PressEncontro da Telexfree, empresa suspeita de ser pirâmide financeira, na Califórnia, em julho. Foto: DivulgaçãoA polícia acompanhou o protesto de integrantes da Telexfree, ocorrido em julho, em Brasília. Foto: Agência BrasilManifestantes bloquearam rodovia em Brasília em apoio à Telexfree. Foto: Agência BrasilProtesto de pessoas ligadas à Telexfree dificultou o trânsito próximo ao aeroporto de Brasília (julho de 2013). Foto: Agência BrasilReprodução do site da Telexfree com a foto do apresentador Celso Freitas. Foto: ReproduçãoReprodução de vídeo de carreata da Telexfree em Vitória (ES), em 28/6/2013. Foto: Reprodução/YoutubeO ator Sandro Rocha trocou a Telexfree pela Multiclik. Foto: DivulgaçãoVídeo de divulgação da Telexfree em que Carlos Costa afirma ter firmado contrato com a Mapfre. Companhia diz que contrato é falso. Foto: ReproduçãoProtesto a favor da Telexfree na cidade de São Paulo, em 29/6. Foto: J. Duran Machfee/Futura PressManifestante participa de protesto a favor da Telexfree  (29/6/13). Foto: J. Duran Machfee/Futura PressPromotora Alessandra Marques, do MP do Acre, que investiga a Telexfree, diz ter sido ameaçada de morte. Foto: Divulgação/TJ-AC


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