Para chegar em 2014 com 30 milhões de acessos à internet em banda larga fixa, como quer o Ministério das Comunicações, as empresas de telefonia estimam que sejam necessários pelo menos R$ 16 bilhões em investimentos. Estes números preliminares foram levantados pelas operadoras em reunião que acabou há pouco com técnicos do ministério.

Os custos consolidados para a implantação do Programa Nacional de Banda Larga, na perspectiva do setor privado, serão fechados na próxima semana.

As previsões de investimento, segundo um executivo das operadoras, consideram a infraestrutura que as empresas de telefonia fixa já dispõem, desde as redes de transmissão até as ramificações locais. Os R$ 16 bilhões seriam aplicados para construir novas redes onde ainda não há infraestrutura e para ampliar a capacidade das redes onde o serviço já está disponível. Num cenário menos otimista, os custos poderiam chegar a R$ 24 bilhões.

Ainda não há uma previsão de quanto custaria a parte do programa que seria feita por acesso em banda larga móvel. A meta do ministério para 2014 é de que já haja no País 90 milhões de conexões à internet em alta velocidade, sendo 60 milhões pelo celular. Hoje, existem no Brasil 13,5 milhões de acessos em banda larga fixa e 6,5 milhões em banda larga móvel.

Os estudos das empresas serão consolidados em um plano a ser apresentado pelo Ministério das Comunicações ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A proposta do setor privado está sendo elaborada em paralelo aos estudos do governo.

No lado governamental, já começa a ser admitida a possibilidade de uma parceria com as empresas para que elas façam o atendimento ao cliente final, fornecendo os serviços de acesso à internet rápida. A tendência é de que seja criada uma estatal para atuar só na transmissão dos dados. A infraestrutura desta empresa do governo funcionaria como uma rede alternativa às das operadoras privadas, atuando no atacado para vender capacidade de transmissão a qualquer empresa que quisesse atuar na ponta oferecendo serviços de banda larga.

A proposta do grupo técnico do governo, ainda em elaboração, será apresentada no dia 10 de novembro ao presidente Lula, que tomará a decisão final.

As empresas lembram ainda que será preciso prever no Plano Nacional de Banda Larga medidas adicionais para garantir acesso da população de baixa renda ao computador. O raciocínio é de que não basta oferecer os serviços a preços acessíveis se não há o equipamento para a conexão.

Os estudos do setor privado estão sendo feitos considerando um teto de R$ 30,00 estabelecido pelo ministério para o preço dos serviços de banda larga, que terão velocidade de conexão entre 250 quilobits por segundo (Kbps) e 1 megabit por segundo (Mbps). Da reunião de hoje participaram representantes da Telefônica, Oi, Embratel, Vivo, Claro e TIM.

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