Mais do que o cenário macroeconômico conturbado, a elevada penetração dos serviços de telefonia móvel entre a população brasileira está forçando o setor a um crescimento mais moderado daqui para frente, segundo analistas. Dados divulgados ontem pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) mostram uma queda de 30% nas adições líquidas na telefonia móvel no mês passado, comparativamente a janeiro de 2008, para 1,308 milhão de pontos de acesso.

Com isso, o Brasil alcançou a marca de 151,949 milhões assinantes de telefones móveis em janeiro.

Apesar do recuo, analistas dizem que a entrada de novos clientes ainda é significativa, uma vez que 2008 foi um ano atípico e constitui uma base de comparação muito forte. Além da piora do cenário macroeconômico, a analista setorial da Brascan Corretora, Beatriz Battelli, avalia que a teledensidade no mercado de telefonia móvel já atinge 79,79 usuários a cada grupo de 100 habitantes, o que limita o alcance a potenciais clientes.

Em relatório, Battelli afirma que a redução nas adições líquidas indica um menor número de promoções, o que pode ser "pontualmente positivo" para as teles em termos de rentabilidade. E diz esperar para 2009 um número de adições líquidas inferior ao de 2008, quando 29,6 milhões linhas de celular foram agregadas à base.

Na opinião do analista de telecomunicações do Banif, Alex Pardellas, ainda é cedo para dizer se as operadoras lançaram mão de promoções menos agressivas em janeiro, mês que tradicionalmente é mais fraco para o comércio de celulares. Ele observou, no entanto, que as empresas tendem a melhorar sua rentabilidade daqui em diante, pois optaram por reduzir o custo de aquisição por cliente - dinheiro usado, por exemplo, para subsidiar aparelhos.

"Antes, a preocupação das teles era ganhar participação de mercado e, agora, está mais centrada em produzir rentabilidade. Agora que a teledensidade está muito alta e os clientes potenciais são aqueles de menor renda, as operadoras vão concentrar suas despesas na retenção dos assinantes", destaca Pardellas. A melhora na margem Ebitda também deve acontecer por economia de escala na base de clientes e pela própria consolidação do setor, que gera sinergias operacionais.

Ainda que o mercado esteja mais preocupado do que nunca com a rentabilidade, a briga por novos clientes continua acirrada. Para a analista Luciana Leocádio, da Ativa Corretora, dentre as empresas de capital aberto, Vivo e Oi/BrT se saíram melhor no balanço de janeiro da Anatel, em detrimento da TIM. A Vivo, apesar da discreta perda de participação de mercado - 29,84% em dezembro para 29,81% -, capturou 26,4% das adições líquidas (345 clientes), atrás somente da Claro, que atraiu 28% dos novos assinantes (367 usuários).

O market share da Oi em adições líquidas foi de 16,2%, ao passo que o da BrT atingiu 17,7%, perfazendo um total de 443 novos clientes entre dezembro e janeiro. Por outro lado, a TIM contribuiu com apenas 11,4% das adições líquidas, recebendo no mês 149 assinantes. "Quanto ao avanço do mercado como um todo, já é possível perceber uma desaceleração em relação ao ritmo de crescimento de 2008, tendência que deverá se acentuar ao longo deste ano", diz a analista da Ativa, atribuindo o desempenho ao cenário econômico e à elevada taxa de penetração.

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