Um dia depois do encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Cristina Kirchner, da Argentina, técnicos dos dois países reúnem-se hoje em Buenos Aires para lidar com o problema do abastecimento do trigo argentino ao mercado brasileiro e outras pendências que se arrastam na relação bilateral. Sob pressão dos moinhos brasileiros e dos índices de preços ao consumidor, o governo tentará obter da Argentina compromissos mais claros de fornecimento de trigo em grãos.

A discussão será conduzida pelo secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Ivan Ramalho, e pelo secretário de Indústria da Argentina, Fernando Fraguió. Ambos lideram a Comissão de Monitoramento do Comércio Bilateral, organismo que tenta minar as pendências nas trocas entre os dois países. A questão do fornecimento de trigo, entretanto, está há mais de seis meses sem uma decisão definitiva.

Desde o início do ano, quando suspendeu suas exportações de trigo para atender à demanda interna, a Argentina abriu cotas para embarcar o produto ao Brasil, um de seus principais clientes no exterior e principal sócio no Mercosul. Hoje, essas cotas somam cerca de 2,7 mil toneladas para este ano.

Segundo Ramalho, a alternativa adotada pelo Brasil de permitir o ingresso de trigo dos Estados Unidos e do Canadá com tarifas de importação mais baixas não aliviou a pressão sobre os preços, que continuaram salgados por conta dos custos de logística. A solução seria um novo aumento nas cotas de exportação ao Brasil.

Na semana passada, o governo argentino tentou responder às pressões brasileiras contra as tarifas mais altas aplicadas sobre as exportações de trigo em grãos. Trata-se de uma medida adotada por Buenos Aires para estimular o embarque de farinha, produto com maior valor agregado.

O governo argentino aumentou a tarifa de exportação da farinha de 10% para 18%. A do trigo em grãos ficou em 28%. A medida não foi suficiente para aplacar a irritação da Associação Brasileira da Indústria de Trigo (Abitrigo)

"Os moinhos do Sudeste do Brasil estão se transformando em meros comercializadores da farinha de trigo que vem da Argentina", queixou-se o embaixador Sérgio Amaral, presidente da entidade.

Vinho

Outra pendência que estará sobre a mesa diz respeito ao preço mínimo de importação de vinhos argentinos no Brasil, hoje de US$ 8 por caixa com 12 garrafas. De acordo com Ramalho, essa medida foi adotada há anos pelo governo brasileiro para contornar o ingresso de vinho de má qualidade no mercado local.

Agora, as vinícolas do Rio Grande do Sul reclamam que a desvalorização do peso argentino em relação ao dólar elevou a competitividade desses mesmos vinhos argentinos bloqueados no passado e pedem o aumento do preço mínimo de importação.

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