A recuperação dos investimentos em curso será suficiente para elevar a taxa de Formação Bruta de Capital Fixo sobre o PIB este ano, mas o resultado ainda deverá ficar um pouco abaixo de 2008, pico da série histórica do IBGE, segundo analistas. Se confirmadas as projeções, a taxa ficará entre 18% e 18,4%, garantindo ao presidente Lula terminar o governo com um resultado acima do primeiro ano da atual administração, em 2003, quando foi de 15,3%.

A recuperação dos investimentos em curso será suficiente para elevar a taxa de Formação Bruta de Capital Fixo sobre o PIB este ano, mas o resultado ainda deverá ficar um pouco abaixo de 2008, pico da série histórica do IBGE, segundo analistas. Se confirmadas as projeções, a taxa ficará entre 18% e 18,4%, garantindo ao presidente Lula terminar o governo com um resultado acima do primeiro ano da atual administração, em 2003, quando foi de 15,3%. O patamar atual, entretanto, é insuficiente para garantir um crescimento da economia sem pressões inflacionárias. Para garantir um crescimento sustentado e sem pressões sobre a inflação de 4,5% a 5% ao ano, segundo analistas, seria necessária uma taxa anual de pelo menos 20%. Em 2008, quando atingiu esse valor num pico trimestral no terceiro trimestre, a taxa de investimento anual do País chegou a 18,7%, a maior da série histórica iniciada em 1996. A crise do ano passado levou a uma regressão nos investimentos equivalente a dois anos e a taxa chegou a 16,7%, menor patamar desde 2006. O economista chefe da LCA, Braulio Borges, acredita que a taxa de investimento chegará a 18,4% em 2010 e pode beirar os 20% no ano que vem. Nesse patamar, segundo ele, é difícil um crescimento sem pressões inflacionárias nos próximos anos. Nas contas de Borges, para uma expansão anual de 4,5% da economia brasileira a partir do ano que vem, sem efeitos negativos nos índices de inflação e sem gargalos de infraestrutura, a taxa deverá se situar entre 21% e 22%, o que na sua avaliação deverá ocorrer somente em 2014. O que todos os analistas concordam é que, sem a crise do ano passado, a taxa de investimento deste ano já estaria esbarrando no patamar de 20%. A Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento, previa, antes da crise, uma taxa de investimento de 19,7% em 2009 e de 20,9% em 2010. Segundo o consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Julio Sergio Gomes de Almeida, uma taxa inferior a 20% garante ao Brasil, sem pressões sobre inflação ou infraestrutura, um crescimento do PIB entre 3% e 3,5%. Para uma expansão maior da economia, em torno de 5%, é necessária uma taxa entre 20% e 22%. O analista da Tendências Consultoria, Bernardo Wjuniski, também acredita que a taxa anual de investimento em 2010 feche em 18%, o que segundo ele pode ser um problema. "A grande preocupação com o crescimento da economia é essa, um possível desequilíbrio entre expansão e investimento", disse. Ele também avalia que seria necessária uma taxa de 20% para garantir um aumento do PIB de 5% sem pressões inflacionárias. Os analistas apostam que a Formação Bruta de Capital Fixo terá uma expansão vigorosa neste ano, impulsionada por todos os seus componentes, que são máquinas e equipamentos e construção civil. "A crise de 2009 interrompeu, mas não abortou, o ciclo de crescimento do investimento", disse Borges. Ele acredita que, entre 2010 e 2015, o PIB deverá registrar expansão de 4,7% ao ano, enquanto a FBCF deverá registrar aumento anual de 9,8% no período. Segundo o economista da LCA, as condições para a aceleração dos investimentos nos próximos anos estão dadas, com a perspectiva de realização de eventos de vulto como Copa do Mundo e Olimpíadas, além da exploração das reservas de petróleo na camada pré-sal. Para Borges, haverá uma "recuperação generalizada" dos investimentos em 2010, com aumento da utilização da capacidade instalada na indústria e iniciativas no setor de construção civil, tanto em habitação como em infraestrutura. Gomes de Almeida também vê um ambiente no qual os empresários estão "com apetite de investimentos". Segundo ele, "há interesse nos setores de energia, petróleo, saneamento e portos e o dinamismo do investimento empresarial já voltou ao patamar pré-crise".
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