A Comissão de Supervisão Financeira de Taiwan disse hoje que está impedindo os investidores estrangeiros de aplicarem dinheiro nos chamados time deposits, que são contas às quais os investidores têm acesso limitado a seus fundos por um período fixo de tempo, em troca do recebimento de taxas de juros mais elevadas. Na avaliação do analista Clyde Wardle, do HSBC, Taiwan torna-se, assim, o primeiro país na Ásia a seguir os passos do Brasil e a instituir controles sobre os fluxos de capitais que estão provocando a apreciação da moeda local.

A decisão entra em vigor imediatamente, e os investidores não poderão estender os prazos de seus depósitos atuais. Segundo a Comissão, a proibição se deve ao "ambiente econômico em mutação" e se segue a recomendações do banco central da ilha.

O BC não deu mais detalhes sobre a restrição, mas o presidente da autoridade monetária, Perng Fai-nan, disse em outubro que os investidores estrangeiros mantinham 500 bilhões de dólares de Taiwan nessas contas, cinco vezes a quantia considerada aceitável. Segundo ele, os investidores poderiam estar acumulando fundos para propósitos que não são os mercados de ações.

O secretário-chefe da Comissão de Supervisão Financeira, Lu Ting-chieh, disse hoje que, de acordo com as regras anteriores, os investidores estrangeiros poderiam aplicar 30% de seus recursos remetidos em depósitos ou outros instrumentos financeiros que vencem dentro de um ano, antes de usar o dinheiro para aplicação em ações.

Os investidores estrangeiros puderam aplicar dinheiro nos "time deposits" por três meses e tinham direito a uma extensão de três meses adicionais. "Mas o propósito original era o investimento em ações e, se os investidores deixam seu dinheiro preso em depósitos, ganhando juros, isso vai contra o propósito originalmente anunciado", disse Lu.

A proibição vale apenas para os "time deposits". Os investidores estrangeiros ainda podem aplicar 30% dos recursos remetidos em outros produtos financeiros de curto prazo, como bônus de um ano e outros instrumentos dos mercados monetários. As informações são da Dow Jones.

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