SÃO PAULO - A elevação do juro básico promovida hoje pelo Comitê de Política Monetária (Copom) foi considerada injustificada por Abram Szajman, presidente da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio). Segundo ele, ainda assim, tudo serve para justificar a decisão da autoridade monetária, que elevou há pouco a Selic de 13% para 13,75% ao ano.

O dirigente se queixa que nem mesmo a redução dos preços dos alimentos nas últimas semanas sensibilizou o BC. Ao contrário, Szajman afirma que o BC aproveita para usar o fator de baixa internacional dos preços para sustentar a vigilância na inflação local. Ocorre que essa teoria não valia quando os índices se aceleraram, disse, em nota enviada à imprensa.

Szajman critica o BC ao afirmar que na alta de preços, a autoridade monetária coíbe pressões e não vê efeito externo, mas sim interno, vindo de aquecimento econômico. Já quando os preços recuam, o BC não vê efeitos internos, mas apenas os externos. Os argumentos são convenientemente (ou inconvenientemente) colocados para manter o ritmo de alta dos juros.

Como resultado dessa política restritiva, o dirigente lembra que deve continuar aumentando a dívida pública, a apreciação cambial e o déficit em transações correntes, além de novas reduções dos saldos comerciais. E o cordeiro devorado pelo lobo será o crescimento econômico de 2009, que voltará a ser medíocre, conclui Szajman.

(Valor Online)

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