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SÃO PAULO - O conselho de administração da Suzano Papel e Celulose aprovou ontem um aumento do capital social da empresa. Segundo a companhia, trata-se apenas de uma prática contábil, que não representa o ingresso de novos recursos.

SÃO PAULO - O conselho de administração da Suzano Papel e Celulose aprovou ontem um aumento do capital social da empresa. Segundo a companhia, trata-se apenas de uma prática contábil, que não representa o ingresso de novos recursos. Em comunicado divulgado ao mercado, a empresa explicou que o aumento do capital terá valor aproximado de R$ 412,2 milhões, para um total de R$ 2,467 bilhões. A operação será executada por meio da absorção de parte das reservas existentes em 31 de dezembro de 2009 (antes da destinação dos resultados). Do valor, R$ 303,5 milhões partem da reserva de incentivos fiscais e os outros R$ 108,7 milhões são referentes à reserva especial de ágio na incorporação. "O aumento proposto é uma adequação legal. Há uma regulamentação que prevê que não se pode ter reservas de lucro que excedam o capital social da companhia. Desta forma, estamos absorvendo a reserva de lucro e transformando em capital social", afirmou o diretor-executivo de Relações com Investidores (RI) da Suzano, André Dorf, em teleconferência com jornalistas. "Não estamos trazendo dinheiro novo para a companhia, nem diluindo a participação dos minoritários. É só uma simples capitalização das reservas para o capital social", frisou o executivo. A Suzano ainda anunciou uma bonificação de ações de 25%, ou seja, na proporção de uma ação nova para cada grupo de quatro ações pré-existentes, de mesma espécie e classe, consistindo na emissão de 78.620.624 novas ações. Do montante total, 26.955.378 ações serão ordinárias, 51.280.026 serão preferenciais classe"A"e 385.220 serão preferenciais classe"B". Dorf também observou que a decisão de elevar o capital no lugar de distribuir dividendos pode ser justificada pelo plano de investimentos da Suzano. "Esta é a melhor opção para o acionista, já que temos um pipeline de projetos muito atrativo, e devemos manter o dinheiro na companhia e reinvestir de forma muito atrativa", afirmou. Na teleconferência com a imprensa, o executivo quis enfatizar que uma oferta de ações para financiar o plano de expansão da companhia não está em andamento. Fontes ouvidas pelo Valor na semana passada comentaram que a Suzano estaria em contatos iniciais com bancos de investimento para avaliar a viabilidade de lançar ações preferenciais. Essa seria uma opção para captar recursos para financiar projetos. Outra alternativa seria a venda de debêntures conversíveis em ações. Na ocasião, a empresa também negou que estivesse planejando a operação. "Por enquanto, não há nada no radar, nada contratado com nenhum banco", disse Dorf."Nosso principal desembolso para esses projetos começa a acontecer em 2012. Temos ainda três anos de geração de caixa, esperamos desalavancar bastante a companhia e, aí sim, começar a desembolsar para esses projetos." O diretor da Suzano ressaltou que a empresa possui R$ 2,5 bilhões em caixa e que, portanto, não faltam recursos. O aumento do capital social da empresa ainda precisa ser aprovado pelos acionistas, que se reúnem em assembleia no próximo dia 30. (Beatriz Cutait | Valor)
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