A realização de superávits primários robustos tem permitido que o Tesouro Nacional resgate títulos em volume maior, o que possibilitou a queda do estoque da dívida interna do governo federal em julho. A explicação foi dada nesta quarta-feira pelo coordenador-geral de operações da dívida pública, Guilherme Pedras.

"O primário robusto dá mais flexibilidade para o Tesouro", disse. A dívida interna caiu 3,44% no mês passado, para R$ 1,204 trilhão

Pedras afirmou que o esforço fiscal do governo "tem apresentado, em valores absolutos, resultados muito bons". Com mais recursos no caixa do Tesouro, o órgão tem conseguido resgatar papéis para evitar pagar mais juros em uma eventual emissão de títulos para a rolagem da dívida. "Isso permite resgatar ao invés de emitir com taxas (de juro) mais altas", disse.

O juro atrelado às emissões do Tesouro aumentou nos últimos meses em linha com o aperto monetário realizado pelo Banco Central, que aumentou a taxa Selic em 1,75 ponto porcentual desde abril.

O coordenador da dívida também afirma que o Tesouro não tem necessidade de emitir títulos da dívida no exterior atualmente. "O Brasil não tem feito emissões no mercado externo porque não há necessidade de captação. As únicas emissões externas recentes foram qualitativas", explicou.

A operação "qualitativa" tem como principal objetivo criar parâmetros de referência para as taxas de juro de um país ou empresa no mercado de dívida. Pedras explicou que a ausência do Tesouro em captações externas não tem relação com a crise internacional.

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