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Suíços desistem da tripa brasileira

O Brasil perde o lugar nas mesas dos suíços. Um dos pratos mais tradicionais da culinária dos países dos Alpes - a salsicha - não será mais fabricado com ingredientes brasileiros, mas sim da Argentina.

Agência Estado |

O assunto se transformou em debate nacional na Suíça, com o envolvimento até do Senado do país e mesmo reuniões com o chanceler brasileiro, Celso Amorim.

O problema alegado é a falta de controle sanitário no Brasil, que acabou obrigando os suíços a seguir as recomendações da União Européia e adotar um embargo contra as carnes nacionais. Em 2006, o governo suíço adotou uma série de barreiras sanitárias contra a carne brasileira. O temor dos europeus era de que o intestino dos animais brasileiros estivessem contaminados pela febre aftosa.

As barreiras acabaram afetando o prato nacional suíço. Para que seja produzida, a salsicha precisava do intestino da vaca brasileira, mais precisamente da tripa do gado Zebu, que permite o revestimento da carne com um diâmetro de 36 a 38 milímetros. No total, a indústria suíça precisa de cerca de 20 mil quilômetros de tripas para embalar as salsichas por ano.

Diante da eventual falta de tripa brasileira, o futuro de um dos pratos nacionais da Suíça passou a ser debatido. Ao lado do fondue e da raclete, a salsicha é considerada patrimônio nacional da culinária suíça desde 1891. O seu desaparecimento é considerado uma perda da identidade e acarretaria prejuízos de US$ 100 milhões, alegam os defensores da salsicha.

No Parlamento suíço, o senador Rolf Buttikoffer chegou a apelar para que o governo reavaliasse o embargo imposto ao Brasil. "A saúde da cervela vem do Brasil", dramatizou o senador.

A ministra da Economia, Doris Leuthard, prometeu estudar uma alternativa à carne brasileira e chegou a encomendar um estudo científico para avaliar se, de fato, o produto representaria ameaça à saúde. "Esse é um problema de relevância nacional", afirmou a ministra.

Para se ter uma idéia do que representa a salsicha na culinária suíça, basta olhar o cálculo dos produtores. Por ano, os 7 milhões de habitantes do país consomem 160 milhões de salsichas - mais de 20 salsichas por pessoa por ano, algo próximo das 25 mil toneladas do produto ao ano. No total, são 120 mil vacas e 360 mil porcos usados anualmente para a fabricação da salsicha apenas na Suíça.

Para complicar, a Suíça foi a sede da Eurocopa em junho e, fora dos estádios, o lanche preferido é sempre a tradicional salsicha.

Outro sabor

Depois de meses de tratativas, os suíços anunciaram, neste fim de semana, que vão passar a importar a tripa de outros países sul-americanos, entre eles Uruguai, Paraguai e, principalmente, Argentina.

"A cervela está a salvo", dizia a manchete do jornal suíço Le Matin, de ontem. Os especialistas, porém, alertam que o revestimento da salsicha pode mudar de tamanho, já que não encontrarão nos países vizinhos do Brasil a mesma qualidade de tripa.

Os suíços já previam uma falta da salsicha para o período de Natal e negociaram com produtores argentinos a fabricação da tripa perto das medidas ideais.

Mas, meticulosos, os suíços já alertam os consumidores: a tripa importada da Argentina não é a mesma do Brasil e os suíços terão de se acostumar com um novo gosto em seu prato.

Balz Horber, diretor da União Suíça de Carne, confirma o fim da crise, ainda que insista que a importação de outros países da América do Sul exigirá uma nova aceitação por parte dos consumidores.

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