Genebra, 22 out (EFE).- O Governo federal suíço pediu hoje à ministra de Relações Exteriores Micheline Calmy-Rey que convoque o embaixador alemão para protestar pelas declarações do ministro alemão de Finanças, Peer Steinbrück, de que a Suíça deve ser incluída na lista negra de paraísos fiscais.

A ministra expressará ao diplomata alemão a surpresa e o descontentamento do Governo suíço pelas palavras de Steinbrück, que considerou que a Suíça e Liechtenstein devem estar na lista negra de paraísos fiscais e justificou a tomada de medidas contra este tipo de jurisdições que favorecem a evasão fiscal, pois "ameaçam a soberania da Alemanha".

Steinbrück fez estas declarações em reunião em Paris de 17 países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre a luta contra os paraísos fiscais.

Calmy-Rey, acrescentou, em umas declarações à imprensa que além de descontente por estas afirmações, a "Suíça segue no caminho do diálogo com relação à diferença tributária com a União Européia".

O assunto será tratado na reunião que manterão em dezembro o presidente da Confederação, Pascal Couchepin, e o da Comissão Européia, José Manuel Barroso.

As declarações do ministro alemão também provocaram a indignação da Associação suíça de Banqueiros e dos partidos políticos da direita.

"Tratam de atacar a Suíça. De debilitar seu mercado financeiro", denunciou o Partido Radical, um dos cinco que integram o Governo colegiado suíço.

A imprensa suíça reage hoje às palavras do ministro alemão considerando que a crise financeira internacional influiu para que os parceiros europeus da Suíça reavivem agora o eterno conflito do sigilo bancário.

"França e Alemanha têm uma necessidade imperiosa de entradas fiscais, embora seja apenas para financiar suas ajudas aos bancos em dificuldades, e podemos contar com o fato de que estes dois países vão colocar a faca no pescoço da Suíça", diz hoje o "Tribune de Genève" em seu editorial.

Steinbrück afirmou ontem que é necessário pressionar as jurisdições que incitam a evasão fiscal e anunciou que seu Governo vai colocar em prática medidas de sanção. EFE vh/fal

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